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CAPÍTULO 86

Author: Sol Rodrigues
last update publish date: 2026-09-18 06:41:10

Procurei outro ponto fixo no quarto, tentando impedir que as lágrimas caíssem. Eu não daria a ele aquela satisfação. Não permitiria que aquele homem pensasse que suas palavras tinham poder suficiente para me destruir.

— Você não vai chorar aqui, né?

Perguntou.

Foi nesse momento que me lembrei da garota que eu era quando Thomas me conheceu. A garota que não abaixava a cabeça, que não aceitava desaforo e que tinha uma língua afiada o suficiente para transformar qualquer conversa em uma guerra. A
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  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 88

    THOMAS ..No dia seguinte, achei que o dia seria diferente. E foi.Mas eu queria que fosse um dia tranquilo, um daqueles dias capazes de trazer algum descanso para a minha mente, porque desde que abri os olhos naquele hospital parecia que havia uma parte da minha cabeça funcionando contra mim. Eu tinha perguntas demais e respostas de menos, e o pior de tudo era saber que os últimos cinco anos da minha vida simplesmente haviam desaparecido.Era como se alguém tivesse arrancado cinco anos inteiros da minha história e deixado apenas alguns pedaços soltos.Eu lembrava de quem eu era.Lembrava da minha empresa, da minha mãe, das festas, das mulheres, dos contratos, da minha rotina. Lembrava de estar discutindo com meu pai.O restante era um enorme borrão.E, quanto mais eu pensava nisso, mais uma conclusão desagradável surgia.Eu provavelmente havia feito muita merda.O doutor Martins apareceu pela manhã acompanhado de alguns médicos residentes. Fizeram exames, fizeram perguntas, verific

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 87

    Tudo o que eu queria era me livrar daquele sentimento que estava me sufocando. Era raiva misturada com tristeza, decepção, impotência e uma vontade absurda de voltar no tempo apenas para impedir que tudo aquilo acontecesse. Eu caminhava pelo corredor tentando respirar, mas parecia que as paredes daquele hospital estavam se fechando ao meu redor, como se o ar tivesse ficado pesado demais para entrar nos meus pulmões.Eu levei uma das mãos ao peito, tentando controlar a respiração, enquanto as lágrimas ameaçavam cair. Eu não queria chorar. Não ali. Não por ele. Não depois de ter saído daquela sala tentando manter o mínimo de dignidade que ainda me restava.O doutor Martins estava no corredor e percebeu imediatamente o meu estado deplorável.— Sra. Beatriz, fique calma. Vamos voltar para a minha sala.Balancei a cabeça, sentindo a garganta apertada.— Não, doutor. Eu preciso sair daqui, antes que eu entre ali novamente e mate aquele homem que eu me recuso a acreditar que ainda é meu mari

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 86

    Procurei outro ponto fixo no quarto, tentando impedir que as lágrimas caíssem. Eu não daria a ele aquela satisfação. Não permitiria que aquele homem pensasse que suas palavras tinham poder suficiente para me destruir.— Você não vai chorar aqui, né? Perguntou.Foi nesse momento que me lembrei da garota que eu era quando Thomas me conheceu. A garota que não abaixava a cabeça, que não aceitava desaforo e que tinha uma língua afiada o suficiente para transformar qualquer conversa em uma guerra. A mesma garota que ele havia enfrentado, provocado e, depois, amado.Se ele havia voltado a ser aquele homem, então eu também poderia voltar a ser aquela mulher.Levantei o rosto e sorri de maneira lenta.— Chorar? Por que eu choraria por alguém como você?Ele estreitou os olhos.— Como é?— Um homem arrogante, insensível, que finge mandar na própria vida, mas é completamente controlado pela própria mãe. Acredite, quem tem motivos para chorar aqui é você.Thomas me encarou como se eu tivesse acab

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 85

    Eu pensei que o doutor Martins faria as apresentações necessárias, ou pelo menos me ajudaria a iniciar aquela conversa, afinal, ele sabia exatamente quem eu era, conhecia a nossa história e tinha plena consciência de que eu estava prestes a encontrar um homem que havia esquecido até o próprio casamento. Mas, aparentemente, o doutor decidiu que aquele era o momento perfeito para testar minha capacidade de sobreviver a situações absurdas.— Bom, vou deixar vocês conversarem. Você tem vinte minutos.Ele se desviou de mim e saiu do quarto com a tranquilidade de quem acabava de entregar duas pessoas desconhecidas para resolverem um problema simples, como decidir quem ficaria com a última fatia de pizza. Não era como se Thomas tivesse sofrido um acidente de helicóptero, perdido cinco anos de memória e acordado acreditando que ainda era o mesmo homem arrogante de antes. Não. Era só uma conversa entre marido e esposa, sendo que um deles não fazia ideia de que o outro existia.Muito tranquilo.

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 84

    Caminhei até a área externa e encontrei nosso motorista próximo ao carro. Ele estava conversando com outro funcionário, mas encerrou a conversa assim que me viu.— Bom dia, Sra. Beatriz.— Bom dia, Gustavo. Você poderia me levar até o hospital em que Thomas está?Ele me observou por alguns segundos antes de responder.— A senhora tem certeza de que deseja ir lá nesse momento?— Tenho. Não posso continuar adiando isso, Gustavo. A conversa que você teve comigo ontem me deu coragem.Ele abaixou ligeiramente a cabeça, como se já esperasse aquela decisão.— Tudo bem. Se escolheu lutar, eu vou ficar do seu lado.— Obrigada.Entrei no carro, e Gustavo assumiu o volante. Durante todo o trajeto, fiquei olhando pela janela, observando as ruas passarem enquanto tentava organizar o que diria. Eu poderia começar contando sobre o nosso casamento, falar sobre o roseiral ou explicar como nos conhecemos, mas nenhuma dessas histórias parecia suficiente para fazer Thomas compreender a dimensão do que ha

  • Vendida para Thomas   CAPÍTULO 83

    BIA..No dia seguinte, levantei bem cedo, embora tivesse dormido pouco. Passei boa parte da noite acordando assustada, procurando Thomas ao meu lado e lembrando, logo depois, que ele estava em um hospital, sem saber quem eu era. O espaço vazio na cama parecia maior do que antes, e cada vez que meus olhos se acostumavam com a escuridão do quarto, eu sentia a mesma dor voltar ao peito.Quando cheguei à cozinha, minhas irmãs já estavam acordadas. Bárbara estava terminando de colocar algumas panquecas em um prato, enquanto Bruna mexia uma pequena panela no fogão. O cheiro de canela tomou conta do ambiente, e eu parei perto da porta, sem conseguir esconder a emoção.Minha mãe sempre fazia panquecas com canela quando eu estava triste.Era uma lembrança simples, mas naquele momento pareceu atravessar todo o tempo que havia passado desde a morte dela. Minha mãe não tinha muito para oferecer, mas sempre encontrava alguma maneira de tornar os dias difíceis um pouco mais suportáveis. Quando al

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