Se connecterKate Ferreira
O som estridente do despertador rasga o silêncio do meu quarto, me arrancando bruscamente de um sonho bom, onde eu estava em uma praia paradisíaca, sem preocupações. Estendo a mão para o criado-mudo e, com um tapa mal calculado, finalmente consigo silenciar aquele barulho infernal. O alívio dura apenas alguns segundos, pois logo sinto algo peludo e quentinho subir em cima de mim. — Bom dia, Merlin — murmuro com a voz ainda rouca de sono, enquanto meu gato esfrega o focinho no meu rosto. Merlin, como sempre, é insistente. Ele mia baixinho, exigindo sua dose matinal de carinho. Respiro fundo e passo a mão em seu pelo macio, sentindo um breve momento de paz antes de encarar o dia que me espera. Hoje não é um dia qualquer. É o dia das sessões de fotos, e, para piorar, Ricardo estará lá fiscalizando tudo pessoalmente. Só de pensar nisso, meu estômago dá um nó. Trabalhar com ele já é complicado, mas tê-lo me observando enquanto tiro fotos de lingerie? Um pesadelo. — Vai ser ótimo, Kate. Super normal, super profissional... — Tento convencer a mim mesma enquanto empurro o edredom para o lado e me levanto. O banho quente ajuda a afastar o sono, mas não a ansiedade. A água escorre pelo meu corpo, e eu me pego pensando em como vou lidar com a presença dele. Ricardo tem aquele jeito sério, quase intimidante, mas o que realmente me desestabiliza é o olhar. Um olhar tão intenso que parece enxergar através de mim. Ao sair do banheiro, me enrolo em uma toalha e abro o guarda-roupa. Escolho um conjunto confortável, mas ainda assim elegante, porque afinal, vou trabalhar. Opto por uma calça de alfaiataria preta e uma camisa branca de tecido leve. Nada muito chamativo. Deixo a maquiagem de lado; sei que vou passar pelo processo completo antes das fotos. Na cozinha, preparo meu café da manhã. Algo simples: torradas, um ovo mexido e café preto. Enquanto como, Merlin me observa, esperando pacientemente pela ração dele. — Tá bom, tá bom, sua vez. — Sirvo sua comida e fico observando enquanto ele come. É estranho como pequenos momentos como esse conseguem trazer um pouco de tranquilidade. Dou um beijo rápido no topo da cabeça dele antes de sair. — Tchau, bebê. Não apronte enquanto eu estiver fora. Na garagem, entro no carro e ligo o motor. O trajeto até a empresa é acompanhado por uma playlist de músicas calmas, na tentativa de me distrair da tensão que já se instala nos meus ombros. Quando finalmente chego, estaciono no subsolo e sigo direto para o estúdio de fotos. O ambiente está agitado, como sempre. A equipe de marketing corre de um lado para o outro, modelos posam em frente às câmeras, e os fotógrafos ajustam ângulos e luzes. É impossível não notar a diversidade de corpos sendo fotografados. Mulheres e homens de diferentes tamanhos, cores e idades posam com confiança, e isso aquece meu coração. Sinto um orgulho enorme por fazer parte de algo que quebra padrões e promove inclusão. Isso é exatamente o que queremos passar como marca: sensualidade é para todos, independentemente de como você se pareça. Então, meus olhos o encontram. Ricardo está ali, de pé, conversando com os fotógrafos. Ele parece completamente no controle, como sempre. Sua postura impecável e o terno perfeitamente ajustado a ele chamam atenção de todos no ambiente, inclusive a minha. Ele analisa as fotos já tiradas, ocasionalmente gesticulando com as mãos enquanto dá instruções. Meu coração dispara. Ele veio mesmo. — Kate? — A voz da Maria me chama de volta à realidade. — Vamos fazer sua maquiagem! — Ok! Sigo com ela até a cadeira de maquiagem, onde começo a me preparar para as fotos. A lingerie que vou usar já está separada: um conjunto vermelho vibrante, cheio de rendas e detalhes que deixam claro o quanto a peça é especial. Quando a visto, não consigo evitar a surpresa. A lingerie parece ter sido feita sob medida para mim. As rendas acariciam minha pele, e os recortes valorizam cada curva. Me sinto linda, poderosa e sensual. A maquiagem segue a mesma vibe sensual da lingerie: olhos esfumados, lábios vermelhos e uma pele impecável. Meu cabelo é arrumado em ondas soltas, o que dá um ar sofisticado e sexy ao mesmo tempo. Quando finalmente estou pronta, vou até o estúdio. Os flashes das câmeras, a música ambiente e o burburinho da equipe me deixam um pouco nervosa, mas respiro fundo. — Você consegue, Kate — murmuro para mim mesma. Caminho até o cenário preparado para as fotos, e é aí que sinto aquele olhar novamente. Ricardo está me observando. Não é só um olhar casual; é intenso, quase hipnotizante. Sinto um frio na barriga, mas tento ignorar. Ele é meu chefe, nada além disso. As fotos começam. Tento focar no trabalho, nas poses, nas instruções do fotógrafo. Mas toda vez que olho na direção de Ricardo, ele está ali, parado, com os olhos fixos em mim. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas parece que há algo diferente nesse olhar. Algo que nunca percebi antes. Quando as fotos terminam, o fotógrafo me chama para escolhermos as melhores imagens. Ricardo também se aproxima, analisando cada detalhe com aquele olhar crítico. — Essas aqui ficaram incríveis. Você tem uma presença impressionante, Kate. — O fotógrafo diz, olhando as fotos. — Realmente! Você é de tirar o fôlego, Kate Ferreira — Ricardo, que até então estava em silêncio, comentou. Sua voz é baixa, quase um sussurro, mas cheia de convicção. Meu rosto esquenta, e sinto o sangue subir para as bochechas. — Obrigada — respondo, tentando manter a compostura. O fotógrafo, claramente desconcertado, inventa uma desculpa e sai, nos deixando a sós. — Você realmente nasceu para isso, sabia? — Ricardo continua, seu tom agora mais suave. — É sexy, confiante, e... irresistível. Se eu já estava sem graça antes, agora estou completamente desarmada. O que ele está fazendo? Ele nunca foi assim comigo, tão... direto. Sempre teve algumas brincadeiras de flertes, mas agora parecia diferente. — Eu... não sei o que dizer. — Minha voz quase falha. — Não precisa dizer nada. Só estou sendo sincero. — Ele me lança um pequeno sorriso, mas seus olhos continuam fixos nos meus, como se estivesse esperando algo. — Você me pega de surpresa às vezes, senhor Santana! — improvisei em algum resposta leve, em busca de conter minha vergonha. Ricardo sorriu e balançou a cabeça levemente. — Infelizmente é só dessa forma que pego você, senhorita Ferreira — respondeu, me desarmando de novo. Antes que eu consiga responder, alguém chama Ricardo do outro lado do estúdio, e ele se afasta, deixando-me com a mente a mil. Será que ele realmente quis dizer aquilo? Ou será que estou imaginando coisas? Seja como for, uma coisa é certa: trabalhar com ele nunca mais será a mesma coisa.Queridos(as) e amados(as) leitores(as),Escrever essas palavras de agradecimento é um momento de profunda emoção para mim. Compartilhar essa história com vocês foi uma das experiências mais intensas e gratificantes da minha trajetória como escritora.Quando dei vida a Virgem em Chamas, eu queria contar uma história que fosse além do romance: uma história de superação, de amor verdadeiro, de descobertas e de recomeços. Kate, com sua força disfarçada por trás das inseguranças, e Ricardo, com suas cicatrizes escondidas sob a imagem do homem poderoso e sedutor, tomaram forma aos poucos, até se tornarem reais — e foi graças a vocês que eles encontraram um lar nos corações de tantos leitores.A cada capítulo escrito, a cada cena de tensão, paixão ou vulnerabilidade, eu pensava em quem estaria do outro lado da tela ou do papel, sentindo tudo isso comigo. Vocês foram meus parceiros de jornada. Cada mensagem, comentário, compartilhamento e palavra de apoio me deram forças para continuar — mesm
Kate FerreiraA brisa da manhã tocava meu rosto suavemente quando abri a porta da varanda do nosso quarto. O céu estava limpo, com tons claros de azul que se misturavam com o brilho suave do sol nascente. Do alto da casa, eu conseguia ver o quintal silencioso ainda coberto de orvalho… e um pouco mais adiante, lá estava ele. O mar. Calmo, vasto e tão presente quanto a paz que hoje habita em mim.Apoiei meus braços no parapeito da varanda e respirei fundo. Às vezes, ainda parecia um sonho. Ter chegado até aqui. Ter construído essa vida.Senti braços fortes me envolverem por trás e, de imediato, me entreguei àquele abraço. Ricardo beijou meu ombro nu, e eu sorri.— Amor… não esquece que temos que buscar Erick e Júlia no aeroporto hoje — falei, inclinando um pouco a cabeça para olhá-lo de canto.Ele riu, a voz ainda rouca de sono.— Eu sei… já estava me preparando psicologicamente para a bagunça que vai ser essa casa com eles aqui.— Bagunça? — brinquei. — Eles vêm justamente para ajudar
Ricardo SantanaO mês passou voando. E, sinceramente? Eu agradecia por isso. O desfile da Vogue finalmente tinha acontecido, depois de semanas que pareceram uma eternidade. Tanta correria, tensão e desgaste para um evento que, no final, passou como um sopro. Tudo aquilo que parecia gigantesco e insuportável, agora era só mais uma lembrança distante.A empresa, por fim, respirava novamente. Sem Eliana, sem a Vogue e suas exigências absurdas, estávamos de volta ao nosso ritmo habitual. As oportunidades não paravam de aparecer, mas, pela primeira vez em muito tempo, meu foco não estava no dinheiro. Estava na saúde mental de todos nós. A equipe merecia paz. E eu também.Mas fui arrancado dos meus pensamentos quando o nome do voo de Erick ecoou pelo aeroporto.Ele estava voltando para a Espanha. Mais uma etapa da sua vida o chamava, e lá ia meu irmão de volta para suas aventuras. Só que, desta vez, ele não estava deixando apenas a família para trás. Tinha também alguém novo se despedindo d
Kate FerreiraFicamos horas na praia, aproveitando cada segundo daquele momento mágico. Só percebemos que já era madrugada quando o relógio marcou meia-noite. Juntamos tudo com cuidado, colocamos no carro e voltamos para a casa dos meus pais, embalados por um silêncio confortável e cheio de promessas.Assim que chegamos, ainda na varanda, avistamos Erick e Júlia sentados lado a lado, conversando baixinho, completamente imersos na conversa. Troquei um olhar divertido com Ricardo, que sorriu de volta, como se também tivesse notado o clima entre os dois.— O que vocês estão fazendo acordados a essa hora? — perguntei, me aproximando com curiosidade.— Erick estava me contando sobre o intercâmbio dele — respondeu Júlia, os olhos brilhando. — Eu nunca tinha pensado nisso antes, mas ele me fez ficar com uma vontade enorme de tentar também.Ela falava com empolgação, mas havia uma pontinha de insegurança em sua voz. Como se o sonho fosse grande demais pra ela.— Se você quiser mesmo, a gente
Kate FerreiraO dia na praia com Júlia havia sido leve, quase terapêutico. Rimos, corremos na areia, deixamos o vento bagunçar nossos cabelos e as preocupações pra depois. Por algumas horas, tudo pareceu simples de novo.Mas tudo voltou com força quando virei a esquina da nossa rua e vi o carro dele.Meu coração parou. Não diminuiu o ritmo. Parou.— O que ele está fazendo aqui? — murmurei, como se a resposta estivesse no vento.Júlia, que estava ao meu lado, acompanhou meu olhar e franziu o cenho, tão surpresa quanto eu.Estacionei apressada, meu corpo inteiro já tenso. Assim que descemos do carro, fui direto, determinada a arrancá-lo dali. Mas tudo desmoronou quando o vi.Ricardo.De costas, ao lado de Erick. Meu peito se apertou, como se cada batida quisesse explodir de dor e saudade. Meus passos se firmaram no chão, mas meu coração... ele cambaleava.— O que você está fazendo aqui? — perguntei, tentando parecer forte, mas minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria.Ele se virou.
Ricardo Santana O peso que carregava nos ombros parecia ter se dissipado no instante em que vi Eliana sendo levada pela polícia. Aquela imagem era a representatividade perfeita do fim de um pesadelo que durou tempo demais. Pela primeira vez em semanas, eu conseguia respirar sem sentir um nó no peito. Conseguia pensar em Kate sem sentir dor. Finalmente, havia chegado o momento de recuperar o que o destino, ou melhor, Eliana havia tentado destruir.Saí da delegacia com duas coisas de valor inestimável: uma cópia das gravações que comprovavam a confissão de Eliana e a cópia do laudo oficial de Rodrigo, atestando a substância encontrada no vinho. Era mais do que suficiente para provar minha inocência. E, mais importante ainda, era a chave que me permitiria reconquistar a mulher da minha vida.Peguei o celular e disquei para Clara. A ansiedade batia como um tambor no meu peito.— E aí? Conseguiu fazer ela confessar? — foi a primeira coisa que ouvi quando ela atendeu.Sorri antes mesmo de







