FAZER LOGIN— Tudo normal, como sempre. — ela disse.
Eu ainda estava na sala enquanto ela digitava no computador, ouvi o som da impressora funcionando atrás de mim. Virei o rosto discretamente e vi o papel surgindo.
“Certificado de Integridade Himenal – Virgindade Confirmada.”
Exatamente o que eu precisava. A médica se levantou para chamar a próxima paciente e deixou o laudo na mesa por um segundo. Um único segundo.
E foi o suficiente.
Peguei o celular, posicionei o papel e tirei a foto antes mesmo de pensar duas vezes. O meu coração disparou como se alguém pudesse ouvir.
Quando a médica voltou, apenas me entregou o laudo com indiferença. Na recepção, meu pai pegou o papel das minhas mãos. Nem olhou. Dobrou com cuidado e guardou no bolso interno do paletó, como se fosse apenas mais um documento sem importância.
No carro, ele dirigiu em silêncio. Ele sempre fazia questão de que toda vez que saía de casa confirmar minha virgindade mesmo sabendo que não havia feito nada.
Eu já estava com quase tudo pronto. Faltava apenas aquela foto. O que iria adiantar muito as coisas.
Quando chegamos em casa, meu pai foi direto para o escritório. Esperei o barulho da porta fechar antes de correr para o meu quarto. Tranquei a porta. Abri o site e postei a foto do laudo. Sem legenda. Sem explicação. Apenas a imagem, com meus dados censurandos.
Os comentários começaram a surgir quase imediatamente.
“Isso é prova real.”; “Agora o lance vai explodir.”; “Agora eu vou tentar mesmo.”
O almoço foi solitário na cozinha. Salada de folhas verdes, tomate cereja e frango grelhado sem sal. Comi devagar, com o celular escondido no colo enquanto as notificações vibravam sem parar. Uma mensagem apareceu no topo.
Era o homem dos 22 milhões.
“Você está me fazendo perder tempo. Não tem motivo para esse teatro todo. Se prepare, porque quando eu ganhar, tudo será do meu jeito. Sem negociação.”
Li três vezes. Meu estômago embrulhou. Meus dedos ficaram frios.
“Só saberei de verdade quando acabar. O leilão começa hoje à noite.” Mandei.
Pensei em bloquear. Mas não podia.
Eu precisava dele. Precisava que alguém estivesse disposto a pagar alto. Quanto mais alto, mais outros tentariam ultrapassar.
“Mas quem ele era?”
Abri o navegador anônimo e procurei o nome. Alessandro Rossi. No WhisperNet, o perfil sem foto, sem descrição. Apenas lances enviados por mensagem direta.
Mas a internet mostrava outra coisa. Fotos antigas de eventos de negócios. Um homem com camisas abertas demais, tatuagens visíveis, relógios caros brilhando sob luzes de festa. Um nome ligado a dinheiro e coisas que ninguém explicava.
Olhei as datas. Será que podia ser o mesmo homem? Ele poderia ter quase oitenta anos ou mais. Foi só então que me ocorreu algo desconfortável: um homem daquela idade interessado. Resolvi provocar.
“Você não tem foto no perfil. Como sei que é real?”
A resposta veio quase imediatamente.
“Quer fotos? Aqui.”
Os anexos apareceram um após o outro. As fotos imitavam as minhas. O rosto perto da câmera, barba por fazer, lábios relaxados.
De costa a camisa preta aberta, tatuagens espalhadas pelas costas, rosas com espinhos, correntes entrelaçadas, símbolos que pareciam vivos sobre a pele.
A mão no pescoço. Um anel de ouro grosso brilhava enquanto os dedos se abriram.
Outra com o abdômen marcado, calça baixa, o V do corpo desaparecendo sob o tecido.
Havia algo diferente ali, e chutaria que era domínio. Um arrepio subiu pela minha espinha. Não era desejo. Pelo menos eu achava que não.
Respondi com o coração descompassado:
“Ok. Mensagem recebida.”
“Boa garota. Agora mande mais uma sua. Dobro o lance se for preciso.”
Ignorei. O tom dele me irritava, mas também alimentava meu plano. Homens assim pagavam caro para possuir. E eu precisava exatamente disso.
Passei o resto da tarde no quarto, fingindo estudar. O livro de inglês estava aberto sobre a mesa — a segunda língua que meu pai exigia.
Quando conferi novamente, os números tinham explodido. Centenas de mensagens privadas. Sorri, eu tinha conseguido.
No fim da tarde, abri o aplicativo para iniciar oficialmente o leilão. Antes disso, escolhi uma foto nova para compartilhar no link para fomentar um pouco mais. Era no espelho do banheiro da clínica. O vestido simples de algodão marcava meu corpo sem exagero.
Atualizei. Os números começaram a subir.
9 milhões. 13 milhões. 17 milhões. 21 milhões.
Então apareceu o nome dele.
Alessandro Rossi. 22 milhões.
Alguém tentou subir para 22,5. Quase imediatamente veio outro lance.
25 milhões.
Fiquei olhando a tela por vários segundos.
Vinte e cinco milhões.
Mais do que a mansão onde eu morava. Mais do que meu pai poderia perder, falindo. Mais do que eu imaginava precisar para desaparecer. Documentos novos. Uma passagem para qualquer lugar. Uma casa pequena longe de tudo.
Uma vida sem ele. Fechei os olhos e respirei fundo. Agora eu só precisava sair de casa. Desta vez, sem volta. Meu estômago se revirava entre medo e alívio. Quando a meia-noite chegou, a notificação apareceu na tela.
“Leilão encerrado.
Vencedor: Alessandro Rossi – 25.000.000.”Ainda estávamos a uma distância considerável da parede de pedras quando o susto veio.A plantação, que de longe parecia apenas um campo de cultivo comum, se revelou muito mais densa e ocupada do que as imagens de satélite tinham mostrado. Homens e mulheres trabalhavam entre as fileiras altas, vestidos com roupas precárias, rasgadas e sujas, que mal protegiam do sol já crescente. Chapéus velhos, camisas esfarrapadas, calças remendadas.Nenhum deles parecia se importar com nossa presença, ou, pelo menos, fingiam não perceber. Continuavam curvados sobre a terra, as mãos calejadas mexendo na plantação, o olhar baixo.Até que um deles se assustou.Um dos meus homens passou perto demais. O trabalhador ergueu a cabeça de repente, os olhos arregalados. Abriu a boca… e parou. Não gritou. Não falou. Apenas abriu. A boca estava quase toda preta. E não havia língua.
Eu entrei no carro e bati a porta com mais força do que deveria. A revolta queimava no peito como se fosse fogo vivo.Eu amava aquele homem mas odiava ficar para trás. Odiava a sensação de inutilidade enquanto Alessandro e os homens entravam na plantação em direção ao nosso filho.Eu queria estar andando ao lado dele, sentindo o orvalho nas botas, escalando aquelas pedras, entrando na casa. Queria ser a primeira a segurar o bebê. Queria proteger, lutar, fazer alguma coisa além de esperar.Mesmo que eu pudesse correr e seguir atrás deles, eu sabia que a cabeça de Enzo estaria a preço. Alessandro não perdoaria. Nem se tudo desse certo no final. Ele cobraria. E Enzo, por mais leal que fosse, não merecia pagar por minha teimosia.Então eu fiquei. Revoltada.Com as mãos fechadas com tanta força que as unhas marcavam as palmas.
Estávamos parados na beira de uma estrada secundária, a uma distância segura da propriedade. Eu estava confiando inteiramente e cegamente no plano de Marco.O terreno se dividia de forma estranha: de um lado a plantação rural, densa e úmida e do outro, a casa propriamente dita. Não era exatamente um muro o que separava os dois espaços, mas um terreno elevado, coberto de pedras irregulares, que obrigaria qualquer um a escalar com cuidado se quisesse entrar de forma sorrateira.Era o tipo de obstáculo que forçava lentidão e silêncio absoluto.Qualquer passo em falso, qualquer pedra solta, poderia alertar quem estivesse do outro lado.Diferente de outras operações, desta vez estávamos fazendo tudo durante o dia. Quer dizer, o sol começava a se levantar no horizonte, pinta
Quatro horas se passaram, e foram voando. Minha percepção de tempo tinha ido para o brejo em meio à ansiedade de recuperar o nosso filho, de conhecê-lo de verdade e finalmente tê-lo nos braços.Cada minuto parecia uma eternidade e, ao mesmo tempo, desaparecia sem eu perceber.Todos nós estávamos nos preparando a cada segundo que passava. Eu desmontava, limpava e deixava pronto cada arma que tinha disponível dentro de casa. A maioria delas estava exatamente no mesmo lugar em que eu guardava, mas Isabella tinha adquirido um pequeno gosto em esconder algumas daquelas que eu acabava me esquecendo de guardar depois de dormir com ela. Ela com certeza achava que eu não sabia. E até mesmo essas eu estava limpando.Eu fingia não saber desse pequeno segredinho dela. Assim que Enzo voltasse com as informações, nós
A porta da sala de estar se abriu com um estrondo.Enzo entrou quase correndo,o rostoestavavermelho, a respiração curtapor estar claramente correndo, segurando um maço grosso de fotos impressas nas mãos. Ele não disse uma palavra de cumprimento. Apenas caminhou direto até a mesa de centro e começou a espalhar as imagens sobre a madeira, uma após a outra, com movimentos rápidos e precisos.— Olhem isso — falou, a voz carregada de urgência. — Agora.Eu me levantei do so
Três dias se passaram desde a reunião. Três dias de tensão, sono interrompido e uma raiva constante que eu mal conseguia conter.Eu só me controlava por Isabella.Eu estava na sala novamente, andando de um lado para o outro, quando Enzo entrou com o laptop debaixo do braço e uma expressão que misturava cansaço e esperança.— Consegui uma localizaçãoexata— disse ele, sem rodeios.Todos se endireitaram. Isabella, ao meu lado, apertou minha coxa por baixo da mesa. Marco e Lucca parar







