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a obsessão dos irmãos
a obsessão dos irmãos
Autor: Loba azul

capítulo 1

Autor: Loba azul
last update Data de publicação: 2026-07-25 07:42:10

Capítulo 1 — A Chegada

O portão de ferro se abriu devagar, como se a própria casa estivesse relutante em me deixar entrar.

Eu apertei a alça da mochila contra o ombro e olhei pela janela do carro. A mansão parecia ter saído de uma revista — pedra clara, janelas enormes, um jardim tão bem cuidado que parecia falso. Nada daquilo combinava comigo. Nada daquilo era meu.

— Elisa, chegamos — minha mãe disse, com aquele sorriso nervoso que ela vinha usando desde que anunciou o casamento.

Eu não respondi. Não porque não tivesse nada a dizer, mas porque tinha demais, e nada daquilo seria gentil.

Três meses. Fazia três meses que Lúcia conhecera Ricardo Andrade num jantar de negócios, e um mês que ela usava aliança no dedo. Rápido demais para ser real, rápido demais para não doer. E agora ali estávamos nós, subindo a alameda de uma casa que não era nossa, para morar com uma família que não pedi.

O carro parou. Foi então que os vi.

Três silhuetas no topo da escadaria de entrada, parados como uma barreira, não como um comitê de boas-vindas. O mais alto tinha os braços cruzados, terno impecável, olhando para o carro com uma frieza calculada, como se estivesse decidindo o quanto de trabalho eu ia dar antes mesmo de eu sair do banco de trás.

Ao lado dele, um segundo homem, mais jovem, encarava o carro com a mandíbula travada, os punhos fechados junto ao corpo. Não havia nada de sutil na hostilidade dele — parecia prestes a atravessar o jardim e mandar o motorista dar meia-volta.

O terceiro era o único que sorria, mas era um sorriso errado, afiado demais para ser gentil, do tipo que promete problemas embrulhados em charme.

— Aqueles são meus filhos — a voz de Ricardo veio de trás de mim, orgulhosa demais para perceber a tensão no ar. — Felipe, Thiago e Noah.

Eu saí do carro devagar, sentindo os três pares de olhos me despirem de qualquer ilusão de que seria bem-vinda ali. Ninguém desceu para nos ajudar com as malas. Ninguém deu um passo à frente.

— Elisa — Ricardo disse, sorrindo largo demais, o tipo de sorriso que tenta consertar coisas que palavras não conseguem. — Seja bem-vinda à nossa casa.

Nossa casa. A frase soou como uma piada de mau gosto, considerando como os três lá em cima olhavam para mim.

Eu subi os degraus e parei diante deles, recusando-me a desviar o olhar primeiro.

— Então é você — Felipe disse, a voz baixa, cortante, os olhos me avaliando como se eu fosse um item fora de lugar no inventário da casa. — A filha.

Não era uma pergunta. Era um rótulo.

— Elisa — corrigi, mantendo a voz firme mesmo com o coração acelerado.

Um silêncio pesado. Felipe não se apresentou, não estendeu a mão. Apenas manteve os olhos frios sobre mim por um segundo a mais do que confortável antes de se virar para o pai.

— Vou estar no escritório. — E desceu os degraus internos sem me dar mais nenhuma atenção, como se eu já tivesse deixado de existir.

Thiago foi o próximo a falar, e não se deu ao trabalho de suavizar nada.

— Não sei o que você espera encontrar aqui — ele disse, dando um passo à frente, a voz baixa o suficiente para que só eu ouvisse —, mas essa não é sua casa. Nunca vai ser.

— Thiago — Ricardo repreendeu, mas o filho já tinha se afastado, descendo o corredor com passos pesados, deixando atrás de si um silêncio ainda mais desconfortável.

Só sobrou Noah, o sorriso ainda no lugar, mas os olhos dele me estudavam com uma atenção que não combinava com a leveza da expressão.

— Não liga pros dois — ele disse, se aproximando, a voz suave como se estivesse me fazendo um favor. — Eles só não gostam de coisas novas. — Uma pausa calculada. — Ainda.

Havia algo perturbador na palavra "ainda", algo que eu não conseguia decifrar, e antes que eu pudesse responder, ele já tinha se virado e entrado na casa, deixando para trás apenas o eco de passos e a sensação nítida de que eu tinha acabado de entrar em território inimigo.

Minha mãe apertou meu braço, tentando parecer confiante.

— Eles vão se acostumar — ela sussurrou.

Eu não respondi. Porque, pela primeira vez desde que soube do casamento, eu tive certeza absoluta de uma coisa: aqueles três não queriam que eu me acostumasse com nada ali. Eles queriam que eu fosse embora.

E, de alguma forma, isso doeu mais do que eu esperava.

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