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capítulo 5

Autor: Loba azul
last update Fecha de publicación: 2026-08-06 05:16:01

Capítulo 5: Sob a Máscara de Gelo

(Ponto de vista da Mel)

A caminhada da biblioteca até o ponto de ônibus foi o momento mais calmo do meu dia. A briga constante de egos com o Vinícius consumia uma energia que eu preferia gastar estudando.

Sentei-me no banco de plástico da parada, ajustando a alça da minha mochila surrada, e respirei fundo o ar poluído da capital. Se minha mãe estivesse aqui, diria para eu ter paciência, que as pessoas da cidade grande tinham suas próprias feridas escondidas sob o luxo. Mas a verdade é que a paciência com meu "primo" estava perto do limite.

Vinícius Albuquerque era o homem mais bonito e mais desprezível que já tive o desprazer de conhecer.

Aquele cabelo castanho perfeitamente desordenado, os olhos frios que pareciam analisar cada imperfeição das pessoas para usar como arma, e aquele sorriso sarcástico de canto de boca... Era uma combinação perigosa. Eu via como as garotas da faculdade olhavam para ele quando ele passava com a sua "comitiva" de amigos fúteis. Elas aceitavam as migalhas do seu deboche só para estarem no mesmo raio de alcance.

Mas eu não. Eu não tinha tempo para garotos mimados.

Quando o ônibus finalmente chegou e encontrei um lugar vago perto da janela, encostei a cabeça no vidro, vendo os prédios espelhados passarem rapidamente. Lembrei-me do olhar dele na biblioteca. Por um segundo — um fração quase imperceptível de segundo —, quando ele achou que eu não estava prestando atenção, vi a provocação sumir do seu rosto. Ele me olhou de um jeito que me fez prender a respiração, como se estivesse tentando decifrar um enigma.

Ilusão sua, Mel, pensei, balançando a cabeça. Ele só estava procurando mais um motivo para te ridicularizar.

Ao chegar à mansão, o contraste entre a minha realidade e a da família Albuquerque ficou escancarado novamente. A porta dupla de madeira nobre se abriu e o silêncio suntuoso da casa me acolheu.

— Boa noite, Mel querida — tia Ana saudou, aparecendo no topo da escada com um iPad na mão, vestindo um blazer elegante. — Como foi o dia na faculdade? O Vinícius te deu carona?

— Boa noite, tia Ana. Foi ótimo, o curso é incrível — sorri, omitindo a parte da carona. — E não, vim de ônibus. O Vinícius tem os horários dele.

— Aquele menino... — ela suspirou, desgostosa, descendo os degraus. — Ele precisa aprender o valor das coisas. Jante conosco hoje, por favor. O chef preparou algo especial.

Fui para o meu quarto, tomei um banho rápido e vesti algo confortável. Ao descer para a sala de jantar, deparei-me com o próprio demônio de paletó ajustado, encostado no aparador e servindo-se de um copo de água com gelo.

— Sobreviveu à jornada no transporte público, priminha? — ele soltou, sem nem se virar, assim que o som dos meus passos denunciou minha presença. O tom gélido de sempre.

— Sobrevivi perfeitamente — respondi, puxando uma cadeira e me sentando do lado oposto ao dele. — As pessoas no ônibus são bastante educadas. Uma mudança agradável em relação à companhia que tive na biblioteca.

Vinícius virou-se devagar, apoiando a cintura no móvel e me encarando por cima do copo. Os olhos dele percorreram meu rosto sem a menor modéstia.

— Você fala demais para quem está morando de favor — ele soltou, a voz baixa e venenosa, embora um brilho estranho faiscasse no fundo dos seus olhos.

— Vinícius! — a voz de tia Ana ecoou na sala quando ela entrou, cortando o ar pesado. — Peça desculpas à sua prima agora mesmo.

Pela primeira vez, vi uma fração de desconforto passar pelo rosto impecável dele. Ele deu um sorriso de canto, totalmente desprovido de arrependimento, e caminhou em direção à mesa.

— Não precisa se dar ao trabalho, tia Ana — disse, mantendo meu queixo erguido e encarando Vinícius de frente enquanto ele se sentava à minha frente. — As palavras do Vinícius não têm peso suficiente para me ofender. Para machucar, a opinião de alguém precisa importar.

O sorriso sarcástico no rosto dele congelou. Ele travou o maxilar, os olhos fixos nos meus, surpreso com o golpe direto.

A guerra estava longe de terminar, mas, por hoje, eu tinha deixado bem claro: o boy prodígio da TI não conseguiria me dobrar.

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