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capítulo 7

Autor: Loba azul
last update Fecha de publicación: 2026-08-06 05:16:30

Capítulo 7: O Troco em Prato Frio

(Ponto de vista da Mel)

A raiva ainda queimava no meu peito enquanto eu terminava de arrumar a mesa do jantar. O espetáculo ridículo que o Vinícius deu na faculdade só provou o quanto ele era imaturo, possessivo e mimado. Ele achava que podia controlar todos ao seu redor e humilhar quem bem entendesse para afagar o próprio ego.

Mas ele tinha me subestimado. Se Vinícius Albuquerque queria guerra aberta, ele teria.

Tia Ana desceu as escadas conversando ao telefone sobre uma fusão milionária de empresas. Logo atrás, veio o "príncipe herdeiro", vestindo uma camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos. Ele parecia perfeitamente descansado, ostentando aquele mesmo sorriso pretensioso de quem achava que o mundo girava ao seu redor.

Nossos olhares se cruzaram por um segundo. Ele ergueu uma sobrancelha, provocativo. Eu apenas mantive o rosto inexpressivo.

— Querida, me desculpe o atraso — tia Ana disse, desligando o celular e se sentando à mesa. — Tivemos uma reunião de emergência com os diretores de TI da concorrência. Aliás, Vinícius, os relatórios de análise de sistemas que você me entregou ontem estavam com lacunas graves. Se continuar assim, não vai assumir diretoria nenhuma.

Pousei a jarra de suco na mesa e deixei um sorriso calmo nascer nos meus lábios.

— Engraçado você mencionar isso, tia Ana — comentei, mantendo a voz doce e despretensiosa. — Na biblioteca hoje, eu dei uma olhada no código que o Vinícius estava estruturando para a cadeira de Sistemas. Notei que ele usou uma sintaxe completamente ultrapassada. Acho que a rotina agitada de festas até as três da manhã está afetando a memória dele.

Vinícius congelou com o garfo no meio do caminho. Os olhos dele se cravaram em mim, faiscando.

— Como é que é? — ele soltou, a voz baixa e perigosa.

— Ora, Vinícius, é a verdade — continuei, inclinando a cabeça com uma falsa inocência. — Você até tentou me ensinar sobre "origens e enxadas" na sala de aula, mas parece que quem está precisando revisar o básico da tecnologia é você. Se quiser, posso te dar umas aulas particulares no fim de semana. Sem custo, por consideração à família.

Tia Ana soltou uma gargalhada genuína, olhando para o filho com ironia.

— A Mel tem razão, Vinícius! Você vive ostentando o sobrenome, mas precisa mostrar serviço. A propósito, adorei a postura, Mel. É desse tipo de visão afiada que precisamos na empresa.

O maxilar de Vinícius travou com tanta força que vi os músculos do seu rosto se contraírem. Ele encostou as costas na cadeira, encarando-me por cima da mesa com um olhar gélido, cheio de uma indignação contida.

Pela primeira vez desde que cheguei àquela mansão, era ele quem estava acuado.

— Muito engraçado, Melanie — ele disse, com a voz carregada de veneno, embora um brilho sombrio e tenso cruzasse seus olhos castanhos. — Mas não se preocupe. Eu sei exatamente onde aplicar o meu conhecimento... e com quem.

— Excelente — respondi, levando a taça de água aos lábios e sustentando o olhar dele sem piscar. — Fico feliz em ajudar na sua evolução.

O jantar prosseguiu num silêncio tenso entre nós dois, pesado como uma tempestade prestes a desabar. Mas, no fundo, eu sentia uma satisfação quase tóxica.

Vinícius achava que eu era uma garota frágil do interior que se dobraria à sua riqueza e arrogância. Ele não podia estar mais enganado. E pelo jeito como ele me devorava com os olhos — tomados de raiva, mas também de uma perturbação visível —, ele finalmente estava começando a entender isso.

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