LOGIN— Existe — respondeu o Príncipe, a voz grave ecoando pelo salão de pedra negra. — Mas as nossas tropas já estão prontas. Vamos destruir todos eles. — Não. Ainda não, meu príncipe — interrompeu a Princesa, erguendo a mão com uma autoridade que fez o próprio soberano silenciar. Ela desviou os olhos dele e cravou-os diretamente em Toledo, cujo cinismo finalmente se transformou em puro terror. — Se aquele lugar é tão horrendo, mande-o para lá. Um murmúrio chocado correu pela galeria de lobos. A Princesa deu um passo até a borda do estrado de marfim, ditando o destino do carrasco com uma frieza imperial: — Amarrem-no com algemas de prata pura, para que o metal queime sua pele a cada segundo e ele não possa usar sua força de lobo. Ele servirá naquele bordel de renegados por exatamente um ano. Sentirá na própria carne o medo e a humilhação que prometeu à filha do Alfa e às escravizadas. A Princesa inclinou-se ligeiramente para a frente, pronunciando as palavras finais: — E quan
As grandes portas de carvalho do salão do trono se abriram com um estrondo pesado. O silêncio no tribunal tornou-se absoluto quando Toledo cruzou a entrada. Ele caminhava com uma arrogância ultrajante, de cabeça erguida, como se não estivesse ali para ser julgado por crimes monstruosos. O sorriso cínico permanecia estampado em seu rosto, uma provocação silenciosa que flutuava no ar. Ele subestimou o poder de uma mulher que sobreviveu ao esquecimento. No topo do estrado de marfim, a Princesa Eliza endireitou as costas no trono. Seus olhos, afiados como lâminas de aço, cravaram-se no réu. O passado não era sua fraqueza; era o combustível de sua justiça. Ela ergueu a mão adornada de anéis e, com uma voz que cortou o salão como um trovão, deu a ordem aos guardas: — Tragam as mulheres. O sorriso de Toledo vacilou pela primeira vez. Conduzidas pelos soldados, Kelly e as duas escravizadas entraram no recinto. Caminhavam a passos lentos, com os corpos marcados pela reclusão e pela vio
Kelly Dois anos. Esse foi o tempo exato em que Kelly viveu sob o teto do próprio inferno, após o diagnóstico médico sentenciar que seu corpo estava impossibilitado de enfrentar novas gestações. O que deveria ser a casa onde ela reinaria como filha de Alfa tornou-se a sua prisão particular. Como um lobo sádico e sem escrúpulos, Toledo arrastou as duas cativas das masmorras reais para dentro da propriedade. Kelly foi reduzida a nada. Durante vinte e quatro meses intermináveis, ela foi submetida às tarefas mais degradantes, forçada a limpar os vestígios da violência sofrida pelas outras fêmeas e a amamentar os bastardos delas nos cantos escuros dos cômodos, enquanto o cheiro de miséria impregnava suas roupas rasgadas. No entanto, no silêncio daquelas noites de dor acumulada ao longo de dois anos, algo mudou. Em vez de se verem como rivais, a dor compartilhada uniu as três mulheres. Aproveitando-se dos raros momentos em que Toledo estava fora em missões pelo exército real, Kelly usou
Enquanto o destino de Christian seguia seu rumo, em outro canto, o ambiente era bem diferente..Os corredores de pedra do castelo, que antes ecoavam apenas os passos firmes dos guardas e as reuniões tensas sobre o reino, agora tinham um novo tipo de som: pequenas risadas e o barulho de passos rápidos e desajeitados. Eliza e Clara estavam sentadas na sala de estar real, aproveitando um raro momento de descanso com uma xícara de chá. Mas o sossego durou pouco. A pequena Liv Blake, com pouco mais de um ano e meio de idade, passou correndo pela porta. Suas bochechas estavam coradas e ela segurava firmemente o brinquedo de madeira favorito do príncipe. Logo atrás dela, engatinhando e já tentando ficar de pé com uma postura surpreendentemente brava, vinha Esmond. — Liv Blake, devolva o brinquedo do seu príncipe — Clara chamou, tentando soar firme, mas segurando o riso ao ver a filha parar e colocar as mãozinhas na cintura. Liv olhou para o pequeno Esmond e soltou um resmungo determin
— Um novo lobinho? Que nada, dona Maria — Christian respondeu, soltando uma risada leve enquanto ajeitava o casaco de Breno. — A Helena já tem muito trabalho cuidando desse rapazinho aqui. O Breno sozinho vale por uma alcateia inteira quando quer correr pela casa! — Ah, isso é verdade! Crianças nessa idade exigem toda a nossa energia — a senhora riu, caindo na distração de Christian e mudando o foco. — Bem, continuem com as compras. Deus abençoe a família de vocês! Assim que a idosa se afastou e sumiu entre as barracas do mercado, a máscara de Christian caiu. Ele virou-se totalmente para Helena, segurando o queixo dela delicadamente com os dedos para fazê-la erguer o rosto. Os olhos castanhos dela estavam marejados, fixos no chão. — Helena... olhe para mim — ele pediu, a voz descendo para um tom baixo e intensamente carinhoso. — Não ligue para o que ela disse, está bem? Eu não preciso de mais nenhum filhote. O Breno e você são tudo o que eu quero. Helena forçou um sorriso, gra
Sem muitas alternativas e, acima de tudo, querendo o bem do menino que já amava como a um filho, Helena aceitou a proposta. Ela se mudou definitivamente para o quarto de hóspedes, sem imaginar que a proximidade tornaria o jogo de olhares e beijos escondidos ainda mais irresistível. Quando estavam na mesma peça com o menino, a comunicação acontecia em silêncio. Christian cruzava a sala e lançava a Helena olhares atrevidos e profundos, que desciam deliberadamente pelos lábios dela e pelas curvas de seu vestido, fazendo as bochechas da ômega queimarem instantaneamente. Helena, por sua vez, respondia com sorrisos tímidos e morder de lábios que testavam o autocontrole do Alfa ao limite. O lobo de Christian rugia de satisfação a cada toque sutil, e Helena, pela primeira vez em anos, sentia-se intensamente desejada e viva. Eles sabiam que estavam brincando com fogo no espaço apertado daquela rotina, mas a química era forte demais para ser contida. Naquela mesma noite, após organizar su







