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CAPÍTULO 4 — A COZINHA À MEIA-NOITE

last update Veröffentlichungsdatum: 17.03.2026 23:45:34

A noite já havia caído completamente quando Aurora voltou para a mansão.

O cansaço pesava em suas pernas.

Depois de um dia inteiro trabalhando na casa de Adrian Volkov e ainda enfrentar horas de aula na faculdade de gastronomia, tudo o que ela queria naquele momento era tomar um banho quente e dormir.

Mas, como sempre acontecia depois das aulas de culinária prática, ela estava morrendo de fome.

Aurora entrou silenciosamente pela porta dos fundos da casa, tentando não fazer barulho.

A mansão estava escura.

Silenciosa.

Provavelmente todos já estavam dormindo.

Ela caminhou até a cozinha, acendeu apenas uma pequena luz acima da bancada e abriu a geladeira.

— Vamos ver o que temos aqui…

Ela encontrou alguns tomates, queijo, ervas frescas e massa.

Perfeito.

Aurora começou a cozinhar.

Cortar.

Temperar.

Mexer a panela.

Cozinhar sempre teve um efeito estranho sobre ela. Era como se o mundo ao redor desaparecesse.

Era o único momento em que sua mente ficava realmente tranquila.

Ela estava concentrada em preparar o molho quando uma voz grave surgiu atrás dela.

— Você tem o hábito de invadir cozinhas alheias à noite?

Aurora quase deixou a colher cair.

Ela virou-se rapidamente.

Adrian estava parado na porta da cozinha.

O coração dela deu um salto.

— O senhor precisa parar de fazer isso.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Fazer o quê?

— Aparecer do nada.

Adrian caminhou lentamente até a bancada.

Aurora tentou ignorar o fato de que ele estava vestindo apenas uma calça de moletom escura e uma camisa simples.

Sem terno.

Sem gravata.

Sem a postura rígida do tribunal.

E, de alguma forma, aquilo o tornava ainda mais perigoso.

Ele parecia… humano.

E muito mais atraente do que ela gostaria de admitir.

— Está fazendo o quê? — perguntou ele.

— Comida.

— Eu percebi.

Aurora revirou os olhos.

— Massa com molho de tomate fresco.

Adrian observou os ingredientes sobre a bancada.

— Posso provar?

Aurora hesitou por um segundo.

— Ainda não está pronto.

Ele pegou uma colher mesmo assim.

Provou.

Aurora cruzou os braços.

— Eu disse que não estava pronto.

Adrian mastigou lentamente.

— Ainda assim está bom.

Ela tentou esconder o pequeno sorriso que surgiu em seus lábios.

— Obrigada.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

A cozinha estava silenciosa.

Exceto pelo som da panela no fogão.

Adrian apoiou as mãos na bancada.

Observando cada movimento dela.

Aurora sentia aquele olhar.

Pesado.

Intenso.

Como se ele estivesse tentando descobrir algo sobre ela.

— Você realmente gosta de cozinhar — disse ele.

— Muito.

— Por quê?

Aurora deu de ombros.

— Porque é a única coisa que sempre fez sentido para mim.

Ele inclinou a cabeça.

— Só isso?

Ela continuou mexendo o molho.

— Quando eu era criança, minha vizinha me ensinou a cozinhar.

— A mesma que te ajudou?

Aurora olhou para ele surpresa.

— Como o senhor sabe disso?

Adrian deu de ombros.

— Eu gosto de conhecer as pessoas que trabalham para mim.

Aquilo a deixou um pouco desconfortável.

— Então o senhor investigou minha vida?

— Apenas o suficiente.

Aurora suspirou.

— Isso é meio assustador.

Ele deu um pequeno sorriso.

— Eu sou um juiz.

— Eu sei.

Silêncio novamente.

O molho começou a ferver.

Aurora desligou o fogão.

— Pronto.

Ela serviu dois pratos.

Um para ela.

Um para ele.

Adrian ergueu uma sobrancelha.

— Eu não pedi.

— Eu sei.

Ela colocou o prato na frente dele.

— Mas já está aqui.

Adrian olhou para o prato.

Depois para ela.

E começou a comer.

Aurora fez o mesmo.

Por alguns minutos, os dois ficaram em silêncio.

Mas não era um silêncio desconfortável.

Era… estranho.

Como se existisse uma tensão invisível entre eles.

Adrian terminou primeiro.

— Você tem talento.

Aurora sentiu o rosto esquentar um pouco.

— Obrigada.

Ele se levantou.

Mas antes de sair da cozinha, parou ao lado dela.

Muito perto.

Perto demais.

Aurora sentiu o cheiro do perfume dele.

Misturado com algo mais.

Algo masculino.

Forte.

— Aurora — disse ele.

Ela levantou o olhar.

Os olhos deles se encontraram.

— Sim?

Adrian ficou em silêncio por alguns segundos.

Como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras.

— Tente não andar sozinha à noite.

Aurora franziu a testa.

— Por quê?

Ele não respondeu imediatamente.

Apenas disse:

— Porque eu disse.

E saiu da cozinha.

Aurora ficou parada ali por alguns segundos.

O coração batendo mais rápido do que deveria.

Ela não sabia exatamente por quê.

Mas algo naquela conversa tinha sido… diferente.

Mais intenso.

Mais pessoal.

E enquanto terminava de comer, um pensamento estranho surgiu em sua mente.

Talvez o homem frio e distante que todos temiam…

não fosse tão impenetrável quanto parecia.

Mas Aurora ainda não sabia.

Que aquele mesmo homem…

estava começando a perceber algo muito perigoso.

Ele estava começando a querer protegê-la.

E quando Adrian Volkov queria proteger alguém…

isso significava que o perigo já estava muito mais perto do que ela imaginava.

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