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Sob o Olhar do Magnata
Sob o Olhar do Magnata
Autor: Yla

1. ÉDER

Autor: Yla
last update Fecha de publicación: 2026-03-05 02:08:49

Cheguei à empresa, indo diretamente para o meu escritório. Sentei na minha confortável cadeira, aproximei-me da mesa e, devagar, virei-me para trás, observando a grande avenida lá de cima: pessoas andando de um lado para o outro, carros apressados. Respirei fundo.

Porque, anos atrás, se eu não tivesse decidido fazer trabalhos ilegais, não teria chegado onde estou. A minha vida seria igual à de muitos: sem dinheiro e dependente dos outros. Não vence na vida quem é honesto — isso eu senti na pele. O dinheiro é dono de tudo, e quem não tem sofre muito.

Algumas pessoas pensam que a sorte me ajudou. Talvez eu tenha tido um pouco dela quando um homem poderoso cruzou o meu caminho, estendendo-me a mão. Mas, no fim, eu arregacei as mangas e fiz o meu trabalho com maestria, interessado em aprender tudo. Fiz negócios com pessoas de todas as esferas na cidade de Seattle, o que me levou a ser um grande empresário da área imobiliária, à frente de tudo aquilo que movimento internamente.

O destino me fez mudar para uma cidade de médio porte, onde abri várias outras empresas — das quais nem todos sabem que sou o dono.

Em pouco tempo, tornei-me um dos homens mais poderosos dessa cidade.

Fiquei com o olhar vidrado na paisagem da minha janela e não vi Lukas entrar.

— Éder, Éder, está tudo bem? — Lukas chamou mais uma vez, e eu me virei.

— Como ousa entrar no meu escritório assim, sem bater? — disse, nervoso, levantando-me.

— Perdão, Éder. Bati na porta duas vezes, chamei, e você não respondeu. Então entrei. Você parecia longe.

— Afinal, o que quer? Diga logo — falei, estressado.

— O convite do leilão beneficente. O padre Cristiano o convidou novamente. — Lukas falou, com o envelope nas mãos.

— Convite? Todos nessa cidade falam mal de mim pelas costas e ainda querem a minha presença em um leilão beneficente? Jogue o convite fora.

— Como quiser, Éder. — Lukas falou, saindo.

— Volte aqui, Lukas! Quando será o leilão? Deixe o convite aqui. — falei rápido.

— O leilão é hoje! — Lukas respondeu, colocando o envelope sobre a mesa.

— Vou comparecer e arrematar tudo o que houver nesse leilão. O homem sem coração vai entrar em ação. — falei em tom sarcástico.

— Éder, você sabe o coração que tem. Não precisa provar nada para ninguém. — Lukas falou sério.

Sim, eu sei o coração que tenho. Tanto que mantenho total controle sobre ele. Ninguém nunca ousou tocá-lo.

Abri o convite e vi que o bendito leilão seria cedo. Não vou confirmar presença; adoro aparecer de surpresa em alguns lugares. Guardei o convite no paletó e fui me concentrar no trabalho. Não posso mais perder tempo pensando nessa gente linguaruda.

---

Ao anoitecer, vesti o meu terno. Lukas já estava à minha espera no estacionamento da empresa. Olhei a hora no relógio, e o horário estava perfeito para comparecer ao leilão — todos já deveriam estar presentes.

Quando chegamos, paramos em frente ao salão da igreja, e eu olhei sério para Lukas, balançando a cabeça em negativo.

— O leilão será aqui? — perguntei, sem acreditar.

— Sim. É um lugar simples, Éder.

Saímos do carro e entramos no grande salão. É lógico que todos os olhares se voltaram para mim. Afinal, ninguém me esperava ali, já que, nos outros anos, o convite foi recusado.

O padre caminhou na minha direção.

— Seja bem-vindo, Éder. É um prazer tê-lo aqui pela primeira vez. — o padre Cristiano disse, estendendo a mão.

— Obrigado, padre. — cumprimentei-o com um aperto de mão.

Olhei ao meu redor, e um grupo de homens veio me cumprimentar. Alguns empresários bastante curiosos ao meu respeito, querendo saber da minha vida. Sei muito bem lidar com curiosos, então me afastei um pouco deles. Em meio a tanta gente reunida, Lukas e eu fomos conduzidos até uma mesa pelo padre.

Foi então que uma mulher de cabelos claros, fios ondulados, corpo delicado e perfeitamente moldado, olhar firme — simplesmente bela — segurou o braço do padre, e paramos junto com ele.

— Padre, podemos dar início ao leilão? — a mulher perguntou, sem nos olhar.

Quando a encarei, ela me olhou surpresa — ou seria medo? Parecia mais que havia visto um fantasma.

— Filha, espere só um momento. Deixe-me apresentar Éder. Hoje ele veio prestigiar o leilão. — o padre falou, enquanto a mulher me observava de forma cada vez mais estranha.

Estendi a mão para cumprimentá-la, mas ela não quis segurá-la, deixando-me no vácuo e envergonhado.

— Padre, darei início ao leilão em cinco minutos. — A linguaruda nos deu as costas.

Nunca vi mulher mais mal-educada. Fechei os punhos de tanta raiva que senti. Lukas piscou para mim, percebendo que o clima ficou estranho. O padre disfarçou a tensão — eu não. Minha vontade era fazê-la ouvir algumas verdades.

— Sentem-se, filhos. — o padre pediu.

Sentei com o maxilar trincado, com a mente fervendo de ódio. Minha vontade era bater na mesa. Ninguém nunca me tratou assim.

— Você viu o atrevimento daquela mulher? — disse, nervoso, bebendo a água.

— Atrevimento não. Ela parece ter medo de você. Não soube decifrar ao certo o olhar dela.

— Medo? Nunca a vi na minha vida. O que tem de bela, tem de grossa. — respondi com raiva.

De repente, a tal mulher subiu em um pequeno palco. Meus olhos quase soltavam fogo ao encará-la de longe. Apresentou-se como Kira, e todos a aplaudiram de pé, como se ela fosse uma rainha.

Acompanhada de um apresentador, o leilão teve início. Quero ver ela me ignorar agora.

— Éder, não consegue olhar para outra direção que não seja a dessa mulher? — Lukas perguntou, coçando a cabeça.

— Odeio que me tratem como um nada. Não sou um qualquer. Me chamo Éder Vilamout.

Estava sentado em uma mesa lateral, e isso me incomodou imediatamente. Não sou homem de ficar de lado, muito menos atrás — e sim na frente.

Levantei-me da mesa em que estava e sentei-me na primeira mesa, de frente para Kira. Encarei-a, e ela imediatamente desviou o olhar do meu, sem nem fazer questão de disfarçar que não gostou da minha presença.

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Último capítulo

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