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capítulo 5 o último

Autor: Akilla
last update Fecha de publicación: 2026-09-07 00:13:21

E a gente ficou ali, deitadas lado a lado, sem se beijar, mas com a testa colada, com o corpo quente, com a respiração acelerada, com a mão dela segurando de leve a minha por baixo da coberta, fingindo que ia dormir, mas as duas acordadas, com o coração disparado, sabendo que no dia seguinte, quando aquela porta trancasse de novo com aquele _click_ que só a gente conhece, nenhuma das duas ia conseguir parar mais.

E o dia seguinte chegou e eu não consegui dormir nem um minuto de verdade. Eu passei a noite inteira acordada olhando pro teto do alojamento, com a mão ainda quente onde a Ketlin tinha segurado, com a testa ainda queimando onde ela tinha colado a dela na minha. O alojamento tava em silêncio, só o barulho do ventilador velho girando e a respiração das outras meninas nos beliches. Mas na minha cabeça só tinha o _click_.

Eu acordei antes de todo mundo, com o sol ainda fraco entrando pela janela suja. A cama da Ketlin do outro lado do quarto já tava vazia, arrumada do jeito militar que só ela arruma, mas em cima do meu travesseiro tinha um bilhetinho dobrado, com a letra dela toda apressada que eu já conhecia de cor: "Caloura, precisei sair antes que as meninas acordem. Não quero que falem de você. Mas hoje, depois da aula de direito, 18h, mesma sala do diretório. Tranca a porta. Te espero. K."

Eu dobrei o bilhete e guardei dentro do livro de direito constitucional, bem no meio, como se fosse um segredo. O dia inteiro foi uma tortura. A professora de direito falando de processo, de crime, de pena, e eu anotando nada, só desenhando _click_ no caderno. Todas as meninas da sala rindo, falando de festa, de prova, e eu só pensando se 18h ia chegar logo. Meu coração batia tão alto que eu achei que a menina do lado ia ouvir.

Quando deu 17h55 eu já tava na porta da salinha do diretório, com a mochila nas costas, com a mão suando. A salinha tava vazia, com as cadeiras bagunçadas de ontem, com o cheiro de café velho. Eu entrei e sentei na mesa grande, esperando.

18h02 a porta abriu. Era ela. De calça preta larga, camiseta branca amassada, cabelo preto solto ainda molhado do banho, com olheira funda de quem também não dormiu nada e com duas latinhas de coca gelada na mão. Com aquele sorrisinho de canto de veterana que me deixou apaixonada desde o primeiro dia que eu entrei perdida naquele campus.

"Você veio, minha caloura linda", ela falou baixinho e fechou a porta atrás dela. E fez o _click_. Aquele _click_ que só a gente conhece. Aquele barulho da tranca velha da porta do diretório que diz que ali dentro pode ser só nosso mundo.

"Você achou que eu não ia vir, Ketlin?" "Achei que você ia ficar com vergonha. Depois que a gente dormiu abraçadinha, de testa colada, sem nem se beijar, igual duas bobas apaixonadas", ela riu, mas a voz dela falhou. Ela colocou as duas cocas na mesa e veio até mim.

Ela parou na minha frente e segurou meu rosto com as duas mãos, com carinho, com cuidado, sem provocação, só com afeto. Do mesmo jeito que ela fez ontem debaixo da coberta. Com a mão quente, com o polegar passando de leve na minha bochecha. "Você não dormiu, né? Ficou revirando na cama por minha causa igual eu falei?" "Fiquei. E você? Olha sua olheira, veterana."

"Eu também não dormi nada", ela confessou, encostando a testa dela na minha, nariz com nariz, sentindo a respiração uma da outra, igual na noite passada. "Fiquei pensando que faz três anos que eu tranço essa porta. Tranquei pra fazer festa escondida, pra chorar por causa de prova, pra brigar com as meninas. Mas eu nunca tranquei essa porta por amor, caloura. Até você chegar com aquela mochilinha rosa, toda perdida, com medo de mim."

"Eu não tava com medo de você, eu tava apaixonada desde o primeiro dia e não sabia", eu sussurrei. "Eu sei. Eu vi nos seus olhos no primeiro dia. Por isso eu te provoquei na parede aquele dia. Não foi pra te assustar. Foi porque eu não sabia o que fazer com o que eu tava sentindo."

A gente ficou ali, de testa colada, em silêncio, só respirando uma da outra, com a salinha abafada, com o barulho do ar-condicionado velho. "Dorme agora, minha caloura. Se não amanhã você vai ficar com olheira enorme na aula de direito e todo mundo vai saber que você passou a noite inteira pensando em mim, revirando na cama por minha causa", ela repetiu a frase que ela falou ontem à noite, mas agora rindo de nós duas. "Foi você que ficou revirando por minha causa, Ketlin." "Foi. E eu não aguento mais revirar sozinha no meu beliche, caloura."

E ela finalmente fez o que a gente segurou a noite inteira, o que a gente segurou desde o primeiro dia de aula. Ela me beijou. Lento no começo, com gosto de coca-cola gelada, com a mão dela ainda segurando meu rosto com cuidado, como se eu fosse quebrar. Depois com mais saudade, com mais vontade de todos os meses que ela ficou se segurando pra não me beijar no corredor, na cantina, na sala. Eu segurei na camiseta branca dela com força, puxando ela pra mais perto, com medo dela parar de novo e me mandar dormir. Mas dessa vez ela não parou. Dessa vez ela não foi só veterana.

Quando a gente se separou pra respirar, ofegantes, com a testa colada de novo, com o coração disparado, ela sussurrou rouca no meu ouvido, igual ontem, mas agora diferente: "Boa noite, minha caloura linda. Quer dizer, boa tarde. Boa tarde pra sempre, se você quiser ficar aqui comigo todo dia depois das 18h. Nessa salinha, no pátio, no alojamento, na frente de todo mundo. Eu cansei de esconder que eu tô completamente louca por você." "Eu quero, Ketlin. Eu quero ser sua caloura pra sempre."

E a gente ficou ali, abraçadas, sentadas na mesa grande do diretório, com as duas cocas abertas, com a porta trancada no _click_ que só a gente conhece, sabendo que a partir daquele dia, nenhuma das duas ia precisar fingir que ia dormir nunca mais. Porque quando o amor é fora do campus, mas dentro do coração, ele não precisa mais se esconder.

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  • um amor fora do campus   capítulo 5 o último

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    Me deixando ali, encostada na parede, escorregando até sentar no chão, com o corpo todo quente, com a boca formigando, com o coração disparado, com uma raiva boa porque ela não me beijou e com a certeza absoluta de que eu ia ficar a noite inteira acordada pensando nela.E eu fiquei. Fiquei mesmo acordada a noite inteira pensando nela, exatamente como ela queria.Fiquei uns sete minutos sentada no chão frio do dormitório, com as costas encostadas na parede, com as pernas moles, sem força pra levantar. Minha perna tremia sem parar, minha blusa larguinha de dormir tava toda amassada de tanto que eu tinha segurado o tecido com força na hora que ela chegou tão perto da minha boca. Eu tava com muita raiva dela, mas era uma raiva boa, uma raiva gostosa e quente, porque eu sabia que ela fez tudo de propósito. Ela queria me deixar exatamente assim, louca, com vontade, pensando nela.Eu passei a mão na minha boca, que tava formigando até agora, como se ela tivesse me beijado de verdade. Ainda s

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