LOGINEla trancou a porta.
_Click._ O barulho da chave virando na fechadura me fez travar inteira. Meu coração, que já tava acelerado, quase parou. "Ketlin, o que você tá fazendo?", minha voz saiu baixa, quase sem ar, fina. Eu tava encostada na parede do dormitório, com meu caderno abraçado no peito como se fosse um escudo. Ela não respondeu na hora. Ela guardou a chave devagar no bolso da frente do short curto dela e veio andando devagar até mim. Descalça. Com aquele olhar que ela só tem pra mim. Confiante, provocante, com um sorrisinho de canto que me desmonta toda. "Você ficou o dia inteiro me evitando, caloura. Acha que eu não percebi? Passou por mim no corredor e nem me olhou. Na aula sentou lá na frente. Você acha que eu sou boba?" "Eu não tava te evitando... eu só... tava com vergonha do que aconteceu ontem." "Tava sim. E eu fiquei o dia inteiro pensando em você. Pensando no seu cheirinho aqui no quarto, na sua voz me chamando." Ela chegou tão perto que eu tive que encostar as costas com força na parede fria. Ela colocou uma mão do lado da minha cabeça, na parede, e a outra bem de leve na minha cintura. Não me agarrou com força. Só encostou. Só a ponta dos dedos por cima da minha blusa larguinha. Mas foi o suficiente pra minha perna tremer e minha respiração falhar. "Desde que você chegou aqui nesse dormitório, eu não consigo parar de olhar pra você, sabia? E você fica com essa carinha de assustada, toda vermelhinha, mordendo a boca... você faz de propósito, né? Pra me deixar louca por você?" Eu não conseguia respirar direito. Sentia o perfume doce dela, aquele perfume de baunilha que ela usa, sentia o calor do corpo dela a um centímetro do meu. O quarto tava silencioso, só dava pra ouvir o ar condicionado e nossa respiração rápida. "Responde, caloura", ela sussurrou, passando o polegar bem devagar, em círculos bem pequenos, na lateral da minha cintura, por cima da blusa. "Você fica vermelha assim por qualquer uma ou é só por mim? Quando as outras meninas falam com você, você fica assim também?" "É só... é só por você", eu deixei escapar sem querer, num sussurro. Minha voz falhou no final. Ela sorriu. Aquele sorriso lindo, vitorioso. "Eu sabia. Eu sabia desde o primeiro dia que você me olhou naquela porta." Ela inclinou o rosto bem devagar. Chegou tão perto que a ponta do nariz dela roçou de leve na minha bochecha, quase na minha boca. Eu senti o hálito quente dela de menta. Eu fechei os olhos na hora, com força, achei que ela ia me beijar. Meu coração tava tão rápido, tão barulhento, que eu tinha certeza absoluta que ela ia ouvir e rir de mim. Eu segurei sem querer na barra da blusa dela. Mas ela não beijou. Ela parou a um sopro da minha boca. Um centímetro. Eu sentia a boca dela perto, mas ela não encostava. Ela encostou a testa dela na minha, de olhos fechados, e ficou ali, respirando fundo, com a boca quase colada na minha, me provocando de propósito. "Você quer que eu te beije, caloura? Fala pra mim. Se você falar baixinho que quer, eu beijo agora." Eu não respondi. Eu não conseguia. Minha boca tava seca, meu corpo todo quente. Só consegui segurar mais forte na blusa dela, sem coragem de puxar nem de empurrar. "Fala. Só fala 'me beija' que eu paro de te provocar." O quarto ficou em silêncio por uns cinco segundos que pareceram uma hora. Só nossa respiração acelerada, descompassada. "Ketlin... eu..." "Shhh, eu sei. Você tá com medo. Você nunca ficou com uma menina, né?" Eu balancei a cabeça que não, de olhos ainda fechados. "Então a gente vai com calma. Hoje eu só vou te deixar com vontade de mim. Igual você me deixou ontem a noite inteira sem dormir." Ela finalmente tirou a mão da minha cintura, bem devagar, como se não quisesse tirar, e pegou a chave no bolso do short de novo. Foi até a porta e destrancou bem devagar. _Click._ Antes de sair pro corredor, ela virou pra mim, me olhou dos pés à cabeça, parou na minha boca e falou baixinho, com aquela voz rouca que me arrepia: "Mas amanhã, quando eu trancar de novo, eu não vou parar só na testa. Então é melhor você decidir até amanhã se você me quer de verdade, caloura. Porque eu já decidi que eu te quero." E saiu. Deixou a porta entreaberta. Me deixando ali, encostada na parede, escorregando até sentar no chão, com o corpo todo quente, com a boca formigando, com o coração disparado, com uma raiva boa porque ela não me beijou e com a certeza absoluta de que eu ia ficar a noite inteira acordada pensando nela.E a gente ficou ali, deitadas lado a lado, sem se beijar, mas com a testa colada, com o corpo quente, com a respiração acelerada, com a mão dela segurando de leve a minha por baixo da coberta, fingindo que ia dormir, mas as duas acordadas, com o coração disparado, sabendo que no dia seguinte, quando aquela porta trancasse de novo com aquele _click_ que só a gente conhece, nenhuma das duas ia conseguir parar mais.E o dia seguinte chegou e eu não consegui dormir nem um minuto de verdade. Eu passei a noite inteira acordada olhando pro teto do alojamento, com a mão ainda quente onde a Ketlin tinha segurado, com a testa ainda queimando onde ela tinha colado a dela na minha. O alojamento tava em silêncio, só o barulho do ventilador velho girando e a respiração das outras meninas nos beliches. Mas na minha cabeça só tinha o _click_.Eu acordei antes de todo mundo, com o sol ainda fraco entrando pela janela suja. A cama da Ketlin do outro lado do quarto já tava vazia, arrumada do jeito milit
E eu fiquei mesmo acordada a noite inteira pensando nela, exatamente como ela queria que eu ficasse.Fiquei uns dez minutos sentada no chão frio do dormitório, com as costas encostadas na parede, com as pernas moles, sem força nenhuma pra levantar. Minha blusa larguinha de dormir estava toda amassada de tanto que eu apertei o tecido com força na hora que ela chegou tão perto da minha boca. Minha perna não parava de tremer. Eu estava com uma mistura de sentimentos que eu nunca senti antes. Raiva, vergonha, vontade, calor, frio na barriga, tudo ao mesmo tempo por causa de uma menina. Da Ketlin.Eu passei a mão na minha boca de novo. Ainda formigando. Ainda sentindo o hálito quente dela de menta tão perto, quase me beijando. Ainda sentindo o perfume doce dela de baunilha com morango impregnado na minha blusa, no meu pescoço, no meu cabelo. Até o ar do quarto ainda estava quente e abafado por causa da proximidade dela, por causa do corpo dela tão perto do meu, por causa da respiração acel
Me deixando ali, encostada na parede, escorregando até sentar no chão, com o corpo todo quente, com a boca formigando, com o coração disparado, com uma raiva boa porque ela não me beijou e com a certeza absoluta de que eu ia ficar a noite inteira acordada pensando nela.E eu fiquei. Fiquei mesmo acordada a noite inteira pensando nela, exatamente como ela queria.Fiquei uns sete minutos sentada no chão frio do dormitório, com as costas encostadas na parede, com as pernas moles, sem força pra levantar. Minha perna tremia sem parar, minha blusa larguinha de dormir tava toda amassada de tanto que eu tinha segurado o tecido com força na hora que ela chegou tão perto da minha boca. Eu tava com muita raiva dela, mas era uma raiva boa, uma raiva gostosa e quente, porque eu sabia que ela fez tudo de propósito. Ela queria me deixar exatamente assim, louca, com vontade, pensando nela.Eu passei a mão na minha boca, que tava formigando até agora, como se ela tivesse me beijado de verdade. Ainda s
Ela trancou a porta._Click._O barulho da chave virando na fechadura me fez travar inteira. Meu coração, que já tava acelerado, quase parou."Ketlin, o que você tá fazendo?", minha voz saiu baixa, quase sem ar, fina. Eu tava encostada na parede do dormitório, com meu caderno abraçado no peito como se fosse um escudo.Ela não respondeu na hora. Ela guardou a chave devagar no bolso da frente do short curto dela e veio andando devagar até mim. Descalça. Com aquele olhar que ela só tem pra mim. Confiante, provocante, com um sorrisinho de canto que me desmonta toda."Você ficou o dia inteiro me evitando, caloura. Acha que eu não percebi? Passou por mim no corredor e nem me olhou. Na aula sentou lá na frente. Você acha que eu sou boba?""Eu não tava te evitando... eu só... tava com vergonha do que aconteceu ontem.""Tava sim. E eu fiquei o dia inteiro pensando em você. Pensando no seu cheirinho aqui no quarto, na sua voz me chamando."Ela chegou tão perto que eu tive que encostar as costas
O sol da manhã batia direto no meu rosto quando ela entrou. Uma garota linda, alta, devia ter 1,70, cabelos pretos e longos, pele branca, piercing na boca e uma tatuagem no pescoço. Uma aparência rebelde, inesquecível. Ela se sentou ao meu lado. Eu olhei para ela, ela percebeu, olhou de volta e sorriu. Eu fiquei vermelha na hora. Ela deu uma risadinha. A aula começou, o professor entrou e eu tentei prestar atenção, mas meu celular vibrou. Era minha amiga: _"Você percebeu que ela não tira o olho de você?"_ Eu respondi: _"Lógico, mas é uma gata."_ Ela: _"Eu sempre soube que você gostava dela."_ Mandei uma carinha envergonhada: _"Lógico, ela é linda."_ Olhei para ela de novo e ela sorriu. O professor viu e falou: "Ketlin, responda, quando foi a Guerra dos Mascates?" Eu não sabia responder. E ela respondeu por mim, falando que a Guerra dos Mascates foi entre 1710 e 1711. O professor virou e falou "obrigado, Ketlin". Ela deu uma risada e falou "às ordens". Ele começou a fazer várias







