LOGINNa manhã seguinte, Gabriel examinava documentos no escritório do Grupo Santos quando Flávio bateu e entrou às pressas.— Sr. Gabriel, o hospital acabou de ligar. Vanessa desapareceu.Gabriel ergueu os olhos, franzindo a testa.— Como assim? Ninguém estava cuidando dela?— A enfermeira levou os remédios de manhã e viu um volume debaixo das cobertas. Achou que ela estivesse dormindo. Só ao meio-dia perceberam que a cama estava vazia. O celular continua desligado. Ontem, Vanessa estava muito abatida, e a enfermeira teme que faça alguma besteira...A expressão de Gabriel se fechou. Por mais cansado que estivesse dos problemas causados por Regina e Murilo, se alguma coisa acontecesse a Vanessa, ele estaria falhando com a promessa feita a Samuel. E também com a criança que ela carregava.Deu a ordem imediatamente:— Mande procurar agora! Verifiquem todas as câmeras. Quero saber exatamente para onde ela foi!— Sim, senhor!Flávio saiu depressa.No fim da tarde, voltou com uma expressão difíc
No dia seguinte, Vanessa saiu escondida do hospital e, com o endereço que tinha conseguido, foi até a região onde Beatriz morava.Viu quando ela saiu de uma floricultura com dois buquês. Antes que pudesse se aproximar, porém, Beatriz chamou um táxi e foi embora.Vanessa seguiu o carro até o Parque Memorial Vale da Paz.Continuou atrás dela e observou quando Beatriz parou diante de um túmulo, deixou um dos buquês e disse algumas palavras.Depois, caminhou até outro túmulo próximo e depositou as flores restantes. Passou os dedos pela fotografia na lápide, num gesto de saudade e tristeza.“Quem mais, além dos pais, ela tinha ido visitar?”Vanessa esperou Beatriz sair do cemitério para se aproximar. Primeiro, examinou o túmulo onde os pais dela estavam enterrados juntos. Então, movida pela curiosidade, foi até o outro.Ao reconhecer o nome e a fotografia, ficou paralisada.Samuel.O rosto bonito e a expressão austera na foto eram idênticos aos de Gabriel.Ele tinha um irmão gêmeo mais
Gabriel enrijeceu ao ouvir o nome de Beatriz. A imagem dela na cama do hospital, pálida e frágil, voltou à sua mente.Sentimentos que não conseguia compreender se misturaram dentro dele, enquanto o silêncio tomava o escritório.Depois de alguns instantes, respondeu:— Não incomodem mais Beatriz. Procurem outra solução.O advogado demonstrou preocupação.— Sem um acordo de reparação, será muito difícil conseguir uma redução significativa da pena...— Esse problema é de vocês. — Gabriel cortou. — Têm mais uma semana. Quero resultados.Um gesto dele encerrou a conversa.Os advogados trocaram olhares, disfarçaram o desconforto e se retiraram respeitosamente.......Depois de incontáveis dias e noites de esforço no laboratório da NovaCura Biotecnologia, Beatriz e a equipe de pesquisa e desenvolvimento chegaram ao momento decisivo.O medicamento de segunda geração estava pronto, duas semanas antes do previsto.Lívia conferiu os dados finais e pulou de alegria.— Beatriz, você é incrível!Os
Depois do banho, Beatriz se sentou no sofá para secar o cabelo e percebeu que estava sobre alguma coisa. Quando se levantou, encontrou a carteira preta que Rafael tinha esquecido.Telefonou para ele, mas ninguém atendeu.Cerca de meia hora depois, o celular se acendeu. Era Rafael retornando a ligação.Beatriz atendeu na mesma hora.— Desculpa. Estava dirigindo, e meu celular ficou no silencioso. Precisava falar comigo?— Você esqueceu sua carteira aqui.Houve uma breve pausa antes de ele responder, como se só então tivesse entendido:— Ah, deve ter escorregado do bolso sem eu perceber.— Quando fica bom para você? Posso levar, ou...— Não precisa. — Rafael interrompeu. — Guarda para mim. Outro dia eu passo para buscar.— Está bem. Só me avisa antes.Depois de desligar, Beatriz guardou a carteira numa gaveta e não pensou mais no assunto.Nos dias seguintes, o trabalho voltou a preencher sua rotina. Ela passava os dias entre dados e amostras, inteiramente concentrada no avanço do proje
A justificativa de Rafael era convincente, e Beatriz não viu por que insistir na recusa. Agradeceu e entrou no carro.Quando chegaram ao prédio, ela soltou o cinto e se preparou para descer. Nesse instante, Rafael esbarrou sem querer numa garrafa de água mineral que estava no compartimento do apoio de braço. A tampa mal fechada deixou a água escapar, encharcando o punho do paletó.Ele franziu a testa e olhou para Beatriz, sem jeito.— Desculpa, vou precisar de mais um favor. Posso usar seu banheiro para dar um jeito nisso?Ela olhou para a manga molhada e assentiu.— Claro.Beatriz levou Rafael até o apartamento. Assim que abriu a porta, Neve veio aos pulos e se esfregou em seus tornozelos.Seu rosto se suavizou imediatamente. Ela pegou o coelho no colo e encostou a bochecha no pelo macio.— Não aguentava mais me esperar, é? Sentiu saudade?Ainda com Neve nos braços, indicou o caminho para Rafael.— O banheiro fica ali.Ao reparar de novo na manga encharcada, acrescentou:— Se não s
Beatriz desceu do táxi e franziu a testa diante do fluxo incessante de carros. Era horário de pico, e conseguir outro táxi naquele viaduto não seria fácil.Ela começava a ficar aflita quando um carro preto parou um pouco à frente. O vidro baixou, revelando Rafael, com seus traços marcantes e o ar elegante.Ele indicou o táxi com o olhar.— Quebrou?Beatriz respondeu:— Sim. Parou de funcionar.Rafael apontou para o banco do passageiro.— Vai ser difícil conseguir outro aqui. Se quiser, posso dar uma carona.Beatriz observou o congestionamento, hesitou por um instante e aceitou:— Está bem. Obrigada.Ao entrar, sentiu o aroma de cedro no interior do carro.Eles saíram do viaduto e seguiram até uma região comercial movimentada. Rafael levou a mão ao estômago e comentou, num tom casual:— Passei o dia na correria e nem almocei. Agora meu estômago está doendo um pouco. Se não estiver com pressa de voltar, janta comigo? Depois eu levo você para casa.A saúde dele era mais importante. Bea







