FAZER LOGINBeatriz entendeu ao observar a expressão de Gabriel. Quando falou, a ironia era evidente:— Então eram só desculpas? Você não quer se divorciar?Gabriel apertou os lábios, sem negar.Ela soltou uma risada amarga.— E Vanessa vai aceitar isso? Você pretende deixar ela passar a vida inteira como amante, sem nunca assumir ela de verdade?Gabriel respondeu em voz baixa:— Vou encontrar outra forma de compensar Vanessa.A naturalidade com que ele disse aquilo fez Beatriz perder o controle.— E o que te faz pensar que eu aceitaria uma coisa dessas?Gabriel tentou argumentar:— Minha avó gosta muito de você. Trata você melhor do que me trata. Ela ficaria muito feliz se você continuasse na família Santos.Fez uma pausa antes de acrescentar:— De agora em diante, vou reservar um tempo toda semana para ficar com você. Vou te dar tudo o que quiser. Você não vai ter menos do que Vanessa.Ele falava como se estivesse fazendo um grande favor, sem demonstrar o menor respeito por Beatriz. A pouca pa
Os produtos para a pele que ficavam na penteadeira, os pijamas que Beatriz mais usava no closet, os livros já lidos sobre a mesa de cabeceira... Tudo o que era dela tinha sido retirado. Parecia que ela nunca morara ali.A lembrança da frieza com que ela vinha tratando Gabriel aumentou sua irritação. Ainda nem estavam divorciados, e Beatriz já tinha pressa de romper qualquer vínculo.Será que estava se afastando de propósito para chamar sua atenção?Antes, Beatriz fazia de tudo para agradar Gabriel e ficar perto dele.Agora, mal se dignava a olhar em sua direção. Ele não acreditava que Beatriz fosse capaz de deixar para trás um amor de tantos anos em apenas alguns meses.Tomou um banho frio, mas nem isso conseguiu acalmar sua irritação. Vestiu o roupão de qualquer jeito, serviu uma dose de bebida e esvaziou o copo de uma vez. O álcool queimou sua garganta, aumentando a inquietação.Precisava conversar com ela e esclarecer aquilo.Assim que abriu a porta, encontrou Dirce no corredor
Dirce terminou de arrumar o quarto rapidamente. Beatriz entrou com o travesseiro nos braços e fechou a porta.Alzira acompanhou a cena de longe. Soltou um suspiro baixo, com a testa franzida de preocupação.Ao perceber sua presença, Dirce comentou baixinho:— Dona Alzira, parece que desta vez a Sra. Beatriz decidiu mesmo se separar do Sr. Gabriel. Não quer nem dormir na cama que ele usou.Alzira continuou olhando para a porta fechada.— Eu percebi.Ela sabia disso melhor do que ninguém. Antes, por pior que estivesse a relação dos dois, ainda havia alguma esperança no olhar de Beatriz quando encontrava Gabriel. Agora, era como se estivesse diante de um estranho. Só restavam frieza e distância.Alzira suspirou, impotente.— Gabriel magoou Beatriz demais.Nos dias seguintes, Beatriz permaneceu na Mansão dos Santos fazendo companhia a Alzira. As duas caminhavam, tomavam café e jogavam xadrez todos os dias, numa rotina tranquila e afetuosa.......O fim de semana chegou depressa. Ao e
Regina se apressou em responder, tentando manter a calma:— Como você pode dizer uma coisa dessas? Quando seus pais morreram, você ainda era menor de idade. Nós assumimos sua guarda e cuidamos do seu patrimônio. Não tivemos coragem de mandar você para um abrigo!Murilo também tratou de se defender. Falava alto, mas a insegurança transparecia.— Exatamente! Seus pais deixaram uma empresa afundada em dívidas e uma casa hipotecada. Não tinha sobrado nada de valor! Se não fosse pelo parentesco, quem ia querer assumir aquele desastre? Você devia agradecer, mas ainda vem nos acusar!Beatriz ouviu as desculpas com o olhar frio e os punhos cerrados.Ainda não era hora de desmascarar os dois. Nelson continuava investigando o que acontecera anos antes, mas ainda não tinha conseguido provas mais sólidas. Por enquanto, ela precisava engolir a raiva. Quando reunisse todas as provas, faria os dois pagarem pelo que tinham feito.A frieza e a determinação de Beatriz intimidaram Murilo e sua famíli
Vanessa deu um passo brusco à frente e chamou Beatriz pelas costas:— Beatriz! Você não vai embora assim!Com medo de que Vanessa fizesse alguma coisa contra Beatriz, Alzira puxou sua mão para entrar no carro.— Não dá atenção. Vamos embora.Beatriz deu leves tapinhas na mão dela.— Está tudo bem. Espera no carro. Vou falar com ela rapidinho e já volto.Queria ouvir o que aquela família ainda tinha para dizer.Depois de acomodar Alzira, se voltou para Vanessa e perguntou com calma:— Quer alguma coisa?A tranquilidade de Beatriz acabou com o pouco de controle que Vanessa ainda tinha. Toda a mágoa e a humilhação acumuladas vieram à tona.— Você é uma calculista! Soube que Gabriel ia comprar uma casa para mim e trouxe Alzira de propósito para tomar a minha! Não sente nem um pouco de culpa por usar Alzira para roubar o que é meu?Regina se aproximou e acrescentou, com um tom venenoso:— Nunca imaginei que fosse tão perversa! Tudo isso é inveja porque Gabriel gosta de Vanessa, não é? Usar
Beatriz riu do comentário de Alzira. Quando viu as expressões contrariadas de Vanessa e Regina, perdeu o resto da hesitação.Elas não viviam procurando maneiras de irritar ela? Dessa vez, seria a vez dela de reagir.Sem pensar mais no assunto, assinou o contrato.O consultor tratou de parabenizar:— Parabéns, Sra. Beatriz! A casa com a melhor localização do condomínio está garantida para você!Gabriel recebeu o cartão de volta e guardou no bolso interno.— Vó, agora posso ir?Satisfeita, Alzira fez um gesto de dispensa, como se não quisesse olhar para nenhum deles nem por mais um segundo.— Pode. Não gosto dessa família. Evita trazer essa gente sem vergonha para perto de mim. Só de olhar já me irrita!Gabriel não respondeu. De rosto fechado, apertou Vanessa contra si e deixou o estande com Regina e Murilo, que estavam igualmente constrangidos.Beatriz permaneceu com o contrato nas mãos, observando a saída humilhante dos quatro. A lembrança da raiva impotente de Vanessa e Regina ali







