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last update publish date: 2026-10-12 03:52:27

O dia estava frio, e o preto das roupas de luto destacava-se na paisagem. Vários carros pretos lotavam o local, onde amigos, familiares, colegas e conhecidos se reuniam para dar o último adeus a Lukas Schneider. Entre eles estava Amelia, acompanhada pelos pais.

À medida que a cerimônia avançava, as pessoas começaram a se retirar. Ana aproximou-se de Maximilian e o abraçou com ternura. Ele correspondeu, embora mantivesse o rosto sereno, sem deixar escapar uma única lágrima.

— Maximilian, é melhor você ir para casa e descansar — aconselhou Ana antes de se afastar. Em seguida, olhou para Amelia. — Faça com que ele volte para casa com você. Já vou indo.

Amelia assentiu devagar enquanto Ana entrava no carro que a esperava. Assim que partiram, Maximilian voltou-se para Amelia, aproximando-se dela e segurando-lhe o queixo para forçá-la a encará-lo. Ela pestanejou, curiosa.

— Maximilian...

— Está esperando que eu chore igual a uma criança na sua frente, hein? — acusou, com os olhos injetados de tristeza.

— Por que eu iria querer isso? — respondeu ela com sinceridade. — Mesmo que fosse o caso, o que há de mal em um homem que perdeu o pai chorar? Sinto muito pelo o que aconteceu, então pare de bancar o rocha e chore, droga.

Dito isso, Amelia deu meia-volta para se afastar, mas Maximilian segurou seu antebraço com firmeza, impedindo-a de dar mais um passo.

— Espera.

Ela o olhou nos olhos e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi puxada para um abraço. Naquele instante, sentiu a vulnerabilidade dele, algo que tocou sua parte mais sensível. Era doloroso vê-lo daquele jeito, e a compaixão brotou do fundo do seu ser. Ela começou a acariciar as costas dele, acolhendo-o.

— Sinto muito — sussurrou.

O choro de Maximilian não cessou de imediato, e ela tampouco o soltou.

Durante o trajeto de carro, o silêncio era palpável. Maximilian dirigia com firmeza, mas Amelia percebia que a mente dele estava em outro lugar. De soslayo, fitou-o: os olhos estavam avermelhados, a postura firme, embora ainda abalada pela perda.

— Desculpe pelo que fiz agorinha há pouco, acabei me excedendo — soltou ele, quebrando o silêncio.

— Você não tem que se desculpar — garantiu ela.

— Não quero que interprete mal — apressou-se em dizer, mantendo os olhos na estrada. — Sabe como é.

— Nem hoje você consegue deixar de lado o ranço que tem de mim? Você é um idiota.

Diante do silêncio dele, ela bufou. A tensão entre os dois era palpável, mas não havia espaço para mais palavras. De repente, Maximilian decidiu estacionar em uma pequena cafeteria. Ela o acompanhou sem reclamar. Lá dentro, fizeram os pedidos. Amelia, sem apetite, pediu apenas um cappuccino.

Após o lanche, retornaram ao carro, mas, de repente, Amelia começou a se sentir estranha. Ao olhar para baixo, viu sangue entre as pernas. O pânico a invadiu. Ficou tão envergonhada que achou que fosse a menstruação, mas a cólica não tardou a chegar, arrancando-lhe um gemido no banco do carona.

Ao notar o sangue, Maximilian entrou em pânico.

— Meu Deus, o que está acontecendo, Amelia?! — perguntou, a voz tomada pelo desespero.

Tremendo, ela começou a chorar.

— Eu não faço ideia do que está acontecendo.

De repente, a visão de Amelia escureceu e ela desmaiou.

Maximilian agiu rápido. Levou-a correndo para o hospital, com o coração disparado enquanto andava de um lado para o outro na sala de espera. A ansiedade o consumia. Depois do que pareceu uma eternidade, o médico finalmente saiu.

— Felizmente, sua esposa não perdeu o bebê — anunciou o clínico com expressão séria.

— Que bebê? — questionou Maximilian, confuso.

O médico franziu o cenho, compreendendo a situação.

— Ah, imagino que o senhor não soubesse que sua esposa está grávida. O bebê está bem. Felizmente, não aconteceu nada grave.

Maximilian sentiu o mundo parar por um momento. Grávida.

Ao entrar no quarto, encontrou Amelia deitada, com o semblante exausto. Ao vê-la, suspirou.

— Engravidar fazia parte de algum plano macabro ou o quê? — exclamou ela, furiosa. — Se sou tão inexperiente, por que você não foi mais cuidadoso? Por que não usou camisinha? Você é o adulto aqui! Eu não quero ter esse bebê, Maximilian. Nunca vou te dar um filho!

Maximilian paralisou por alguns segundos, digerindo aquelas palavras.

— Amelia, espera. Isso é... inesperado para nós dois — começou ele, tentando achar as palavras certas.

— Inesperado? Eu não acredito nisso! — interrompeu ela, com os olhos banhados em lágrimas. — Minha vida já não me pertence, e agora tenho que lidar com isso também.

— Calma — pediu ele, sentindo o próprio coração acelerar. — Você não precisa decidir nada agora.

— Decidir? — retrucou com a voz trêmula. — O que quer que eu decida? Que fique feliz por estar esperando um filho seu, de um homem que eu não amo e jamais amarei?

Maximilian sentiu o peito apertar. Não era o que havia planejado, mas também não podia fingir demência.

— Não estou dizendo isso. De qualquer forma, estamos nessa juntos.

— Juntos? — ela riu com amargura. — Nós não somos uma equipe, Maximilian. Você continua sendo um estranho para mim. Como isso poderia dar certo se nós nos odiamos?

— Você deveria confiar em mim, pelo menos desta vez.

Ela desviou o olhar, sentindo-se encurralada.

— Eu não consigo fazer isso sozinha — sussurrou. — Estou com tanto medo...

— Você não está sozinha.

Amelia o encarou, buscando sinceridade naqueles olhos. Não havia o menor vestígio de fingimento, mas ainda assim optou por se manter na defensiva.

— Vou precisar de tempo — concluiu enfim, sentindo-se exausta. — Tempo para digerir tudo isso.

Maximilian assentiu, aceitando a decisão dela. Contudo, foi tomado de surpresa pela lembrança do pai, cujo maior desejo era conhecer um neto, embora só tivesse conseguido assistir ao casamento.

Por isso, voltou-se para ela, desta vez com a expressão endurecida:

— Amelia, você é minha esposa e o bebê no seu ventre será meu filho. Portanto, te proíbo de fazer qualquer loucura, qualquer coisa que o coloque em risco. E isso significa que você não tem tempo para ficar ponderar sobre isso; afinal de contas, ter essa criança é o que você vai fazer.

Ela ficou estupefata com aquela mudança drástica de comportamento. Agora ele voltava a ser exigente e inflexível, nada compreensivo.

— Maximilian, você não pode me obrigar a...

— Apenas obedeça, Amelia — repetiu ele, enquanto ela cerrava os punhos com ódio. — Você é minha esposa.

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