MasukMavi nunca imaginou que uma noite em um baile no morro mudaria sua vida para sempre. Muito menos que conheceria Kalel, um homem intenso, perigoso e acostumado a ter tudo sob seu controle.O que começa com um encontro inesperado logo se transforma em uma atração impossível de ignorar e segredos para desvendar.
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Eu disse “não” mais vezes do que consigo contar. Insisti, bati o pé, inventei desculpas… mas quando se trata da Sam, perder é praticamente inevitável. E foi assim que, contra toda a minha vontade, acabei aceitando ir — não pra uma festa qualquer… mas pra um baile. Talvez dezoito anos fosse pra significar maturidade. Talvez a gente devesse agir como adultas, tomar decisões sensatas, evitar problema. Mas, olhando pra nós duas, parecia que essa tal maturidade ainda tava bem longe de chegar e também,nem tínhamos dezoito ainda. Tudo começou quando a Sam conheceu ele. Segundo ela? Dono do beijo perfeito. Incrível. Atraente num nível quase irritante. Segundo a realidade? Um cara do morro.E não… não é preconceito.O problema nunca foi o lugar.O problema… sempre foram os nossos pais. E agora, eu tô prestes a cruzar uma linha que talvez não tenha volta — tudo por causa de um baile que eu nem queria ir. Chego em casa completamente esgotada. O corpo dói, a mente pesa, e tudo o que eu quero é um banho demorado e silêncio. — Você não está com fome, querida? — pergunta Dora, surgindo na sala com aquele sorriso acolhedor de sempre. — Não, Dora… eu só estou muito cansada — respondo, bocejando sem conseguir disfarçar. — Qualquer coisa me chama, tá? Preparo algo pra você. — Não precisa se preocupar. — sorrio de leve. — E os meus pais? — Avisaram que vão chegar um pouco mais tarde hoje. Tem uma reunião importante na empresa, sem previsão de horário. — Tudo bem. Obrigada. Subo as escadas devagar, deixando Dora parada no último degrau. A ausência dos meus pais nunca foi exatamente uma surpresa. Empresários, donos de uma rede gigantesca presente no Brasil e em outros países, eles vivem entre viagens, reuniões e contratos. Cresci aprendendo a conviver com isso. Na maior parte do tempo, somos apenas eu e meu irmão mais velho, Jonas — quando ele resolve aparecer, o que é raro. Entrei no quarto, larguei a bolsa no canto e segui direto para o banheiro. O chuveiro ligado soava como uma promessa de alívio. A água quente desliza pela minha pele, levando embora o peso do dia, as tensões, os pensamentos acelerados. Fechei os olhos, esfreguei o corpo devagar, lavei os cabelos, fiz minha rotina de cuidados com calma. Um banho longo, quase terapêutico.Meu momento de paz. Quando saí, envolta no roupão macio, fechei as cortinas e me joguei na cama. O colchão me recebeu como um abraço silencioso. Estou tão cansada que sequer penso em me trocar. Apenas fecho os olhos. A semana foi um turbilhão. Provas, trabalhos, pressão. Mal tive tempo para respirar. Minha mente começa a apagar aos poucos, tudo ficando distante, nebuloso… Até que… Estou em outro lugar. Sinto a areia fria sob meus pés descalços. O vento salgado toca meu rosto. Uma mão segura a minha. Forte. Segura. Masculina. Corremos juntos pela beira de uma praia deserta, rindo como se o mundo não existisse. O mar é claro, calmo, infinito. Paramos ofegantes e nos sentamos na areia. Meu coração b**e rápido — não sei se pela corrida ou por ele. Tento erguer o rosto para vê-lo, mas algo me impede. Seu rosto permanece oculto, envolto em sombra. Só consigo enxergar suas mãos… tatuadas… que agora seguram minha cintura com cuidado, como se eu fosse frágil. Mesmo sem ver seus olhos, sinto sua presença de forma intensa, quase real. Uma felicidade inexplicável toma conta de mim. E então...O toque desaparece. O som do meu celular ecoa pelo quarto. Abri os olhos confusa, ainda presa entre o sonho e a realidade. Estou na minha cama. No meu quarto. Vestida apenas com um roupão.Sam! Olhei a tela e meu coração dispara. 20:00. — Meu Deus… quanto tempo eu dormi? Antes que eu conseguisse atender, ela desiste da ligação e manda uma mensagem: Amigaaa! Você não esqueceu do nosso compromisso, né? Passo aí daqui a pouco pra irmos juntas! Beijos! 🩷 Meu estômago se revirou.Eu esqueci completamente. Pulei da cama num impulso e corri até o closet, abrindo gavetas, afastando cabides, jogando roupas para os lados. — Nossa..o que eu visto?! O nervosismo tomou conta. Nunca fui a um baile de favela. Não faço ideia de como me portar, como me vestir, como agir. Meus olhos param em um vestido preto, decotado na medida certa. — É esse. Coloquei-o rápido e procurei um tênis. Salto alto definitivamente não é uma opção para mim.Soltei meus cabelos longos e castanhos escuros, que caem até a cintura.Passei os dedos pelos fios levemente ondulados e sorri. Gosto deles assim, livres. Quase cinquenta minutos depois, estava pronta. Desci as escadas apressada, sentindo um frio estranho no estômago. Faltava pouco para Sam chegar. Meu coração batia rápido, misturando ansiedade, curiosidade e uma pontada de medo. Por outro lado,eu queria continuar naquele sonho.Queria ver o rosto dele. Abri a porta e, pela grade do jardim, avistei Sam se aproximando. Ela usa um vestido azul curtinho, o sorriso empolgado estampado no rosto. O cabelo claro curto em corte Chanel realçava tudo. Ri sozinha. No fim das contas, estávamos iguais.E, por algum motivo que ainda não consigo explicar, tenho a sensação de que essa noite não vai ser apenas mais uma.MAVI — Então a gente se fala mais tarde!— Digo finalizando a ligação em que estava com a Sam. Estou prestes a largar o celular em cima da mesa quando meu pai entra batendo a porta como se estivesse descontando algo nela. — Oi pai! — Digo tentando entender o motivo da raiva. — Ah! Que bom que você está ai! E o idiota do Jonas? Onde está? — Ele diz em tom alterado e sinto meu coração bater mais rápido. Concerteza o assunto é sério. — O-o Jonas está lá encima...—Digo. — Pois ele vai descer agora! — Ele solta a sua maleta sobre o sofá— JONAS! — Papai berra. Não passam nem vinte segundos e ouço os passos do Jonas descendo as escadas com pressa. — Eu não fiz nada! Nem botei o pé na rua esses dias e...—Jonas tenta se justificar de antemão mas é interrompido. — Cala boca! — Papai diz rígido. Jonas se cala e papai dá dois pequenos passos em nossa direção. — Qual dos dois vai começar a me explicar sobre fiança do dono do morro? No exato momento sinto minhas pernas ficarem bambas. Com
MAVI /SAMIRAJá se passou uma semana e que bom que as coisas deram certo. Por mais que o Kalel seja assim...Digamos que seja bagunceiro,ele não pode ficar preso.— Você é muito esperta! —Sam diz me olhando com olhos arregalados.— Nem tanto...— Digo dando de ombros.— Só quis retribuir a bondade,já que ele me defendeu de uma sem noção aquele dia ,ele salvou minha vida!— Fato! — Ela concorda.— Quando ele me mandou mensagem em agradecimento senti que fiz a coisa certa. Ele só ficou meio confuso já que sou a "riquinha" da história. Na cabeça dele,não tem porque eu defender um criminoso.— Vocês dariam um par perfeito!— Não! Nada haver uma coisa com a outra!—E por que não? — Ela cruza os braços na minha frente.— Por que eu não gosto dele, ué! Não confunda boas ações com sentimentos!— Tá bom!— Diz em expressão meio entediada.— Eu também queria aprender a não gostar do traste do Th!—O que ele fez ? — Encaro a .— A gente não está se falando, nós brigamos porque ele não sabe me respei
Dia seguinte.... KALEL E vamos para mais um dia enjaulado nesse lugar.Acabei de comer um prato de lavagem mesmo porque meu estômago estava deserto. Estou deitado olhando para cima já que não tem mais nada para fazer e novamente sou surpreendido pelo policial ignorante batendo na grade. —É...Não sei como podem existir pessoas que se importem com um projeto mal feito igual a você!—Ele diz debochando. — O que você quer dizer com isso? — Pagaram sua fiança, imprestável! Infelizmente mais um lixo humano solto! Como assim pagaram minha fiança? Minha mente para pra raciocinar ignorando o que o maldito acabou de falar. —Vamos! Se mexa! já deu sua hora de cair fora! Me levanto pedindo forças para não quebrar o nariz desse carcereiro ali mesmo. Ele abre a cela e me conduz até a portaria do presídio. —Aproveite sua liberdade!—Pisca em deboche. Eu apenas ignoro e aproveito o telefone para realizar uma ligação. Preciso que alguém me busque aqui bem rápido porque estou
MAVI — Que bom que você veio! Sem você eu não conseguiria resolver muita coisa por aqui. —Tá! Mas o que você quer em um cartório? Quem tá preso?— Jonas diz com preguiça. — Vem comigo e você vai entender! Entramos depressa no cartório e precisávamos ser rápidos . —Mavi, dá para me explicar o que está havendo? —Affs! Que coisa,Jonas!— Digo balançando os braços com força demostrando impaciência. —É que um amigo meu,foi preso injustamente e eu quero ajudar ué! Tá satisfeito? —Ué... é por que os pais dele não fazem isso? —Simplismente pelo fato de não saberem e se souberem não vai dar bom. Agora pare de me perguntar as coisas e me ajuda logo! Depois de alguns instantes esperando fomos chamados para conversar com o juiz. —Boa tarde. O que desejam? — Boa tarde senhor! Viemos pois queremos quitar a fiança de um certo indivíduo o qual foi confinado recentemente.—Meu irmão diz todo formal. —Sentem -se por favor! —Ele diz apontando para as cadeiras a frente de sua mesa.












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