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last update publish date: 2026-10-12 03:52:13

Ao chegar ao seu destino, ela tirou um momento para observar os arredores. A solidão a envolvia naquele apartamento luxuoso de Maximilian. Nada ali a surpreendia, visto que vivera rodeada de luxo a vida inteira. No entanto, o tédio logo a invadiu, fazendo-a decidir sentar no sofá. Ligou a televisão para tentar se distrair um pouco.

De repente, um susto a fez sobressaltar-se ao ver uma mulher uniformizada surgir diante dela. Era uma funcionária do serviço doméstico.

— Senhora Schneider, desculpe a interrupção. Pensei que fosse chegar mais tarde, mas aqui estou para lhe dar as boas-vindas. Sou Laura Hoffmann, às suas ordens.

A mulher de cabelos escuros e aparência gentil era Laura, que trabalhava para os Schneider.

— Tudo bem, não se preocupe — respondeu ela, sentindo-se um pouco mais aliviada.

— Qualquer coisa que precisar, estou à disposição.

— Agradeço.

— Com sua licença.

Laura retirou-se, e Amelia bufou, perguntando-se se passaria os dias trancada naquelas quatro paredes.

Acomodou-se no sofá novamente, sentindo um aperto no peito. Apesar da decoração luxuosa que a cercava, havia uma sensação opressiva de confinamento que ela não conseguia ignorar.

Sentia-se presa ali, como se sua liberdade tivesse sido arrancada.

Era como se a opulência a sufocasse, e o silêncio do lugar era tão esmagador que lhe provocava uma sensação terrível de isolamento.

Mas Amelia não era do tipo que se rendia fácil. Apesar da pressão que sentia, não deixaria que Maximilian a dominasse nem que sua vida se transformasse em uma prisão.

Enquanto isso, Maximilian entrou em sua sala, respirando fundo. Aquela fora a sala de seu pai e, após a reforma, finalmente era dele. Sentia-se poderoso e determinado a provar ao pai que era o sucessor perfeito. Deixou-se cair na cadeira, curtindo o momento.

— Diretor executivo Maximilian Schneider... soa bem — gabou-se com um sorriso largo, que logo desmanchou ao ouvir batidas na porta.

— Entre — autorizou.

Giselle Ferrer, uma mulher esbelta de cabelos castanhos e olhos cor de mel, entrou no recinto.

— Senhor Maximilian Schneider, sou Giselle Ferrer, assistente do seu pai nos últimos cinco anos e agora sua assistente. Estou aqui para servi-lo.

Ele assentiu.

— Certo, Giselle. Tenho uma pergunta: por que você não pediu demissão?

— Hein? — inquiriu, surpresa. — Não entendo a que se refere, senhor.

— O que eu quero dizer é que, tendo sido assistente do meu pai, não vejo por que deveria continuar no mesmo cargo comigo.

Giselle sorriu nervosa, sem saber como responder.

— Me desculpe, senhor. Estou apenas seguindo ordens do seu pai, então não sei como responder a isso.

Maximilian suspirou, exasperado.

— Meu pai não tem que ditar quem será minha assistente. Vou te dar uma última tarefa: procure candidatas para o cargo de assistente executiva — decretou, deixando Giselle de queixo caído.

— Senhor... eu...

— Você é do tipo que desafia ordens ou do tipo que cumpre?

Ela assentiu com dificuldade.

— Desculpe, senhor. Farei o que me pede. Com licença.

Sem dizer mais nada, ela saiu. Pouco depois, outra visita inesperada invadiu a sala. Era seu amigo Joseph, um homem negro e atlético que aplaudia como se comemorasse algo.

— Parabéns ao novo CEO da "Company Schneider"! E também quero te dar os parabéns pela união matrimonial.

— Você só pode estar brincando — retrucutou Maximilian.

— Não, de jeito nenhum. Fico feliz que finalmente tenha se casado. Prometo seguir seus passos, embora eu vá fazer isso por amor.

— É melhor calar a boca.

— Tá bom, estou calado. Mas quem era aquela mulher bonita que saiu daqui agorinha?

— A assistente do meu pai.

— Quer dizer que agora ela é sua assistente?

— Não, quer dizer que dei a ela uma última tarefa antes de poder deixar o cargo.

— Você é malvado.

— Talvez. Deve ser por isso que me chamam de CEO "tirano".

— Ah, meu amigo, você pesa a mão.

— É preciso ter pulso firme, Joseph.

— E com a Amelia, tudo bem?

— Nem me fale.

— Odeia tanto assim?

Maximilian bufou, perdido em pensamentos. A imagem do pai com aquela mulher continuava gravada em sua mente. Aquela lembrança revirava seu estômago, e Amelia o fazia lembrar de Camila, a vagabunda que se deitara com seu pai.

— O que você quer que eu diga? A Amelia é só uma menininha.

— Ela é uma mulher, tem vinte e dois anos e cresceu.

— É ingrata, caprichosa e soberba. Nós não combinamos.

— É verdade que você odeia ter visto a Camila, casada e com uma filha, na cama com o seu pai. Mas a Amelia não tem culpa do que a mãe dela fez.

— Tenho pena do Leonard, pela espécie de mulher com quem ele se casou. E odeio meu pai por isso. Minha mãe sofreu muito com a infidelidade dele, adoeceu e morreu. Como eu não poderia odiar aquela mulher? Também detesto meu pai por ter me forçado a casar com a filha dela.

— Sinto muito pela sua mãe. Embora você tenha tido sorte de a Ana te acolher e te amar como a um filho.

— Ela é esposa do meu pai e apareceu nas nossas vidas anos depois. Não tenho nada contra ela, o problema é com a Camila e a filhinha dela — resmungou.

— Ah, qual é. Deixe isso no passado. Ela agora é sua esposa e você precisa aprender a conviver com ela.

Maximilian assentiu, resignado. Pouco depois, convocou os funcionários. Todos pareciam nervosos e cabisbaixos diante de sua presença, pois a fama de "tirano" o precedia.

— É um prazer conhecer todos vocês. Sei que podem estar curiosos a meu respeito, e eu também estou curioso sobre vocês. No entanto, teremos tempo para nos conhecermos. Quero que sigam as regras exatamente como faziam até agora. Se tiverem reclamações, não hesitem em me procurar, mas lembrem-se de que o sucesso exige esforço e sacrifício. Se não podem me entregar um trabalho impecável, devem repensar sua capacidade de continuar na Company Schneider. Meu pai foi rigoroso, e eu farei o mesmo. É só isso. Podem voltar ao trabalho, obrigado pela atenção.

Dito isso, os funcionários mantiveram-se em silêncio, trocando murmúrios de apreensão e resignação diante das novas diretrizes de Maximilian, o "tirano".

E assim se passaram semanas, depois meses. Já faziam dois meses desde que ele assumira o lugar do pai. Embora as coisas na empresa fossem de vento em popa, a situação com a esposa era bem diferente. Casados no papel, não havia qualquer intimidade desde a lua de mel; não comiam juntos, e a friasidade imperava. Eram um casal unido diante de todos, mas a sós, longe dos holofotes, não passavam de duas pessoas sem afeto.

Naquele dia, ao retornar à sala, o telefone de Maximilian tocou. O que ouviu parou seu coração, deixando-o estupefato.

— O quê?

— Sim! Não é possível, Maximilian! Os médicos disseram que restava pelo menos um ano de vida, mas aconteceu... Seu pai morreu! Ele morreu! — lamentava Ana do outro lado da linha.

E o homem desabou no chão, destroçado pela notícia.

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