A primeira coisa que Helena notou ao acordar foi o silêncio.Não o silêncio vazio dos dias que se seguiram à destruição do Coração, nem o silêncio pesado das noites em que ficara acordada, esperando um ataque que nunca vinha. Era um silêncio diferente — um silêncio vivo, preenchido pelo canto dos pássaros, pelo murmúrio distante do rio, pelo som de vozes que riam na cidade abaixo.Helena abriu os olhos.O teto de pedra da cela na capela estava banhado de luz dourada. O sol da manhã entrava pelas janelas estreitas, pintando padrões quentes nas paredes. Ela ficou deitada por um momento, sentindo o peso do corpo contra o colchão de palha, e percebeu que não sentia mais aquela tensão constante nos ombros.Levantou-se lentamente, os músculos protestando. A ferida no braço — onde a espada de Aldric a atingira — ainda doía, mas era uma dor suportável, quase reconfortante. Uma lembrança de que estava viva.Vestiu uma túnica limpa e saiu para o alpendre.Aurora estava lá, como sempre, sentada
Last Updated : 2026-10-02 Read more