AvaO sol batia no vidro da janela, filtrado pelas folhas alaranjadas lá fora.Era um calor gostoso, silencioso, que invadia o quarto sem pedir licença.Eu me virei na cama de lençóis claros e macios.Por um instante, não reconheci o lugar.Não havia barulho de trânsito, nem passos apressados, nem despertadores violentos.Só o som do vento lá fora e dos pássaros anunciando que o mundo ainda existia.Me sentei devagar.Estava com a camisa dele.Era grande, macia, cheirava a madeira e alguma colônia que grudava na pele como memória boa.Passei os dedos no tecido. Sorri.Levantei.Quando me aproximei do espelho do quarto, respirei fundo.A mesma Ava de sempre estava ali. Mas havia algo… diferente.Eu não me xinguei.Não torci o nariz.Não tentei esconder meu corpo com os braços.Pela primeira vez em muito tempo… eu só me olhei.E, por um segundo, me achei bonita.**
Zuletzt aktualisiert : 2025-06-12 Mehr lesen