Dois anos haviam passado desde a noite em que Isabela acreditara, pela primeira vez em toda a sua vida, que a guerra finalmente tinha terminado. Dois anos desde o último disparo, desde os gritos, desde o sangue, desde o momento em que Eduardo caiu diante dela e levou consigo uma parte da escuridão que havia perseguido sua família por tanto tempo. Durante meses, Isabela acordara no meio da noite esperando ouvir passos no corredor, o som de um carro freando diante da casa ou aquela batida insistente na porta que, no passado, sempre significava perigo. Mas o tempo tinha feito aquilo que ela nunca acreditara ser possível. Aos poucos, os pesadelos ficaram menos frequentes. As lembranças perderam um pouco da força. O medo deixou de comandar cada decisão. Ela aprendeu novamente a andar pela própria casa sem verificar as janelas, a dormir sem esconder uma chave ou algum objeto que pudesse usar como arma ao lado da cama. Aprendeu, principalmente, que sobreviver não precisava ser a única coisa
Last Updated : 2026-09-18 Read more