Maria ClaraAs correntes não estavam em meus pulsos. Estavam na alma. Invisíveis, pesadas, apertando devagar até eu quase esquecer como era respirar sem medo. Cada elo forjado no desespero de um futuro incerto, uma promessa desfeita, uma vida que não me pertencia mais. A cada inspiração, sentia o peso daquela opressão, um nó que se apertava, roubando-me o ar e a esperança. Eu era prisioneira não de grades visíveis, mas de um destino que me foi imposto, um véu de incerteza que cobria meu olhar, e um silêncio que me sufocava, impedindo-me de gritar contra a injustiça que me aprisionava.Fazia dois dias que Ahmed não falava comigo. Desde que, durante uma de nossas intimidades, eu disse não. Não à ordem. Não ao comando seco. Não à posição que ele determinou como “meu lugar”.— Você é minha — ele havia rosnado. — E aqui, isso tem um significado.Mas eu me recusei a me curvar. Não sou submissa, e nunca seria. Nem no prazer, nem fora dele, minha vontade se dobra. Minha voz é minha, ecoand
Last Updated : 2026-09-15 Read more