Nina vestia uma camisa branca simples e uma calça jeans, completamente diferente daquela mulher envolta em grifes que eu me lembrava.Aquele visual despretensioso, no entanto, acabava lhe conferindo um ar quase ingênuo, embora, por baixo dessa aparência de pureza, existisse uma vergonha difícil de disfarçar.O rosto dela continuava bonito e delicado, os traços não haviam mudado, mas o corpo estava visivelmente mais magro, mais frágil. A antiga segurança, a esperteza social e a habilidade de agradar a todos tinham desaparecido sem deixar rastros. No olhar, agora havia cansaço e um medo contido, e a presença dela parecia muito menor do que antes.Nina me estendeu uma caixinha de presente, falando com cuidado:— Débora, parabéns. Você finalmente tem um negócio próprio. A partir de agora, tudo vai dar cada vez mais certo.— Obrigada.Eu peguei a caixa e a deixei sobre a mesa de centro, com a nítida sensação de que ela tinha vindo com algum outro propósito.Nina ergueu os olhos para mim, he
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