O rosto de Lorenzo foi escurecendo pouco a pouco, e um turbilhão de emoções pesadas atravessou seu olhar, misturando raiva com uma ponta aguda de ressentimento.Ele encarou os dedos de Nina segurando o saco de papel. Aquela mesma mão que, tantas vezes, havia ajeitado sua gravata, servido bebidas e alisado os vincos da sua camisa… Agora aceitava, sem hesitar, algo entregue por outro homem.A ponta dos dedos de Bruno roçou, de forma involuntária, o dorso da mão dela. Nina não recuou; apenas inclinou levemente a cabeça em resposta.Lorenzo tinha certeza de que Nina entraria naquele carro, mas Bruno conversou com ela por alguns instantes, voltou para o lado do motorista e foi embora sozinho, dirigindo.Nina permaneceu ali, parada, observando o carro de Bruno se afastar.O punho de Lorenzo desceu com força contra o volante. A buzina soou num estampido curto e estridente, ecoando pelo estacionamento vazio.Nina ouviu o som e virou o rosto, por instinto, na direção dele.No instante em que Lo
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