Depois de tantos anos na advocacia, ela já tinha visto de sobra o pior da natureza humana. Entendia muito bem a lógica por trás desse tipo de mentalidade, a ideia de criar filho homem como garantia para a velhice.No fundo, mulheres assim têm uma visão estreita da vida. Admiram força, poder, status. No fim, são guiadas pelo próprio interesse.Amam, acima de tudo, a si mesmas.Quando a filha não tem dinheiro, nem futuro, nem força para se impor, a pressa é arranjar casamento logo. Receber o dote, ajudar o filho homem e garantir que, lá na frente, ele retribua para não acabar a velhice no abandono e na dificuldade.Mas, quando o jogo muda, quando a filha passa a ter dinheiro, quando se mostra mais capaz do que o filho, essa admiração pelo mais forte aparece na mesma hora. E o afeto, aos poucos, começa a pender para quem tem mais valor, mais poder, mais recursos.É aí que nasce esse amor materno tardio, crescendo na mesma proporção da competência e da riqueza da filha.Era triste. Mas era
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