O silêncio estendia-se como uma mortalha cinzenta sobre as ruínas do salão do trono, quebrado apenas pelo chiado persistente do vento gélido que agora arrastava a névoa de enxofre pela cúpula de vidro despedaçada. O mármore polido, outrora o símbolo da imponência inabalável de Valthor, transformara-se em um mosaico de pedregulho e poeira de basalto, manchado de cima a baixo pelo escarlate dos guardas de ferro que haviam tombado sob as garras do herdeiro das trevas.Entre as colunas de obre de ferro retorcidas como galhos mortos, Valthor tentava mover-se, arrastando o corpo mutilado pela lama vermelha aos pés do pedestal de obsidiana. Sua armadura estava desfeita nos ombros, as placas de ferro negro rústico partidas pela força bruta de Aelar. Ele segurava contra o peito o que restava de seu cristal rúnico de contenção, mas as inscrições roxas estavam foscas, vazias da magia que o eclipse total começara a drenar do vale. A cada centímetro que se arrastava, o tirano deixava um rastro esp
Last Updated : 2026-09-09 Read more