A empregada percebeu o homem sentado ao volante. Embora ele não demonstrasse nenhuma emoção, havia nele uma pressão invisível, daquelas que deixavam qualquer pessoa tensa sem nem saber por quê.Ela caminhou com cuidado até o lado do motorista. Os nervos se contraíram de imediato. Depois de hesitar por alguns segundos, conteve o medo, ergueu a mão devagar e bateu duas vezes, de leve, no vidro.A janela não baixou.A empregada ficou ainda mais insegura. Também não teve coragem de bater de novo. Por um instante, não soube o que fazer.Esperou mais um pouco.Quando já estava prestes a voltar para dentro, ouviu o som da porta do carro se abrindo.Ela recuou dois passos depressa.A figura alta do homem tinha uma presença sufocante. O rosto bonito permanecia fechado, e aqueles olhos escuros, frios e indiferentes, eram difíceis até de encarar.Assustada, ela se apressou em dizer:— Senhor... Senhor Henrique, vim buscar a mala da senhorita Bia.Henrique não respondeu. Com passos firmes e pesado
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