Henrique despejou o vinho no decantador e, depois de deixá-lo respirar por alguns instantes, serviu duas taças. O aroma encorpado logo se espalhou pela sala.Ele entregou uma delas a Tatiane.Ela recebeu a taça, girou o vinho devagar e provou um pequeno gole.— O que achou?— Nada mal.Henrique ergueu a própria taça, convidando-a para um brinde.A luz do lustre de cristal se refletia em seus olhos, que naquela noite pareciam mais claros, livres daquela profundidade indecifrável que ele costumava carregar.Tatiane o observou por um instante antes de encostar sua taça na dele.Os dois beberam em silêncio.Terminaram a primeira taça, depois a segunda, até esvaziarem a garrafa inteira.Aos poucos, as bochechas de Tatiane ganharam um tom avermelhado, e seu olhar adquiriu o brilho suave da embriaguez.Ela pousou a taça, levantou-se e caminhou até a janela em busca de um pouco de ar.Lá fora, a cidade brilhava sob as luzes coloridas da noite.Havia chovido naquela tarde, e a brisa que entrava
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