Natan foi o primeiro a se mover. Deslizou devagar para fora da cama, atento ao mínimo ruído, como se qualquer som mais brusco pudesse quebrar algo frágil demais para ser nomeado. Ana dormia de lado, o corpo recolhido, os traços suavizados por um descanso que ela claramente não tivera. Não se mexeu quando ele se levantou. Ele ficou ali por alguns segundos, observando. Não era hábito. Nunca fora. Pessoas dormindo sempre lhe pareceram vulneráveis demais, expostas a uma intimidade que ele não costumava tolerar. Ainda assim, algo naquela quietude o manteve imóvel por mais tempo do que julgou razoável. Por fim, respirou fundo e a chamou baixo. — Ana. Ela resmungou, virou o rosto contra o travesseiro, como quem tenta fugir de um sonho pesado. — Vem — disse ele, sem dureza. — Antes que esfrie. Ela abriu os olhos com esforço. Ainda havia resíduos da noite no olhar, um cansaço espesso, quase físico. Piscou algumas vezes, tentou se sentar, mas o movimento saiu lento demais. Nat
Last Updated : 2026-01-22 Read more