Era um estudo em carvão e giz branco sobre papel montado em tela. Menos cor, mais forma. E a forma era um homem sentado.O rosto estava borrado, apenas uma sugestão de sombra onde estariam os olhos, um traço para o nariz, uma linha para a boca serrada. Mas o resto... os ombros eram largos, angulares, carregando uma tensão visível na inclinação. O peito, sugerido sob uma camisa aberta (ou era apenas a sombra?), tinha a largura e a definição de um homem que, outrora, praticara esportes e ainda mantinha a estrutura sob a patina dos anos de escritório. As mãos, repousadas sobre os joelhos, eram desenhadas com detalhe anatômico-veias salientes, nós dos dedos proeminentes, a palma larga. Eram mãos que construíam, que seguravam, que contenham.Eram, sem qualquer margem para dúvida ou interpretação condescendente, suas mãos. A postura era a sua, aquela que ele assumia na poltrona da sala, absorto em seus projetos. A curva da coluna, ligeiramente curvada por horas à frente da tela. A silhueta
Dernière mise à jour : 2026-02-12 Read More