Naquela noite, Heitor teve um sonho estranho.Sonhou que Lívia morria num acidente de carro.Sonhou que ela estava coberta de sangue, o corpo gelado, e ainda assim, com o último fôlego, dizia para ele:— Heitor, nós… vamos nos divorciar. Na próxima vida, eu não quero mais te encontrar.Ele acordou em sobressalto, o corpo inteiro encharcado de suor frio.Do lado de fora, a lua do País L estava grande e cheia, mas trazia um tom frio, melancólico.Heitor foi até a janela, pegou o binóculo e olhou para aquele pequeno ponto de luz, a base dos jornalistas ao longe.Ele sabia. Ela estava ali.Naquele mundo ao qual ele já não tinha mais acesso, vivendo com esforço, com liberdade.Solta.Solta isso. Uma voz sussurrou dentro dele.Você já destruiu metade da vida dela. Vai mesmo querer destruir também o futuro?Você não pode lhe dar a liberdade que ela quer, nem o respeito que ela merece.A única coisa que ainda pode fazer por ela é desaparecer da vida dela.Heitor baixou o binóculo devagar.Olha
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