O jantar foi servido sem cerimônia, sem convite formal, sem aviso, apenas a governanta apareceu à porta do meu quarto no fim da tarde a dizer que a mesa estava posta, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, como se não estivéssemos numa ilha privada depois de uma discussão que ainda vibrava sob a pele. A casa continuava a funcionar com a mesma eficiência silenciosa, indiferente ao conflito, e isso tornava tudo mais opressor, como se o poder não precisasse sequer de se justificar. Vesti-me em silêncio, não como recuo, mas como escolha, porque aquele silêncio não era ausência, era um espaço que eu tomava para mim antes que ele o ocupasse. Escolhi um vestido simples, leve demais para esconder qualquer coisa, escuro o suficiente para não parecer concessão, sem estratégia aparente, sem intenção de agradar, e ainda assim, quando me olhei no espelho, reconheci o efeito. O corpo estava desperto, mais do que eu queria admitir desde o banho de mar, não relaxado, mas atento, como se
Última actualización : 2026-02-10 Leer más