A ideia começou a tomar forma naquela mesma tarde, mas não como uma fuga. Eu ainda não tinha para onde ir, não tinha dinheiro suficiente para desaparecer e, se fosse completamente sincera comigo mesma, também não sabia se queria sair daquela casa. O que eu queria era saber que não ficaria completamente sem alternativa. Não precisava decidir nada naquele momento. Só precisava deixar de sentir que qualquer decisão futura dependeria inteiramente de outra pessoa. Fiquei sentada na ponta da cama durante alguns minutos, olhando para a gaveta onde estavam escondidos os resultados da gravidez. O som daquele coração ainda voltava à minha cabeça quando menos esperava, rápido e regular demais para eu conseguir fingir que não significava nada. Desde que tinha saído da clínica, bastava ficar alguns segundos em silêncio para me lembrar dele. Não da imagem no monitor, que eu mal conseguia entender, mas do som. Naquela manhã, eu tinha saído da clínica pensando em consultas, comida, descanso e em
Última actualización : 2026-03-17 Leer más