Quarenta e oito horas depois, voltei à clínica. Não tinha dormido mais de três horas seguidas desde a primeira consulta porque, sempre que fechava os olhos, via a folha escondida no fundo da gaveta e ouvia novamente a voz da médica. Ainda não posso confirmar. Também não posso excluir. As duas frases tinham se repetido na minha cabeça durante dois dias. Às vezes, uma parecia mais importante do que a outra. Minutos depois, trocavam de lugar e eu voltava exatamente ao mesmo ponto. Naquela manhã, Matteo me encontrou à mesa, empurrando um pedaço de pão de um lado para o outro do prato. — Não está comendo. — Estou. Ele olhou para o prato antes de voltar a olhar para mim. — Brincar com a comida não conta. Coloquei o pão no prato, já sem conseguir fingir que pretendia levá-lo à boca. O estômago estava apertado demais para aquilo. — Preciso voltar à clínica. Matteo deixou a xícara sobre a mesa. — Por quê? — A médica pediu para repetir os exames depois de quarenta e oito horas. —
Última actualización : 2026-02-21 Leer más