Arthur, que nunca recuava nem diante das negociações mais ferozes, ficou em silêncio.Larissa precisou morder os lábios para não rir.Baixou a cabeça, mas os ombros tremendo de leve já entregavam tudo.Até o garçom percebeu quem precisava mais daquele leite.O que Larissa não percebeu foi que Arthur mal prestava atenção à própria derrota.Seus olhos escuros estavam nela.Naquele jeito leve de rir, na espontaneidade que surgia sem esforço, na liberdade com que se permitia brincar com ele.Uma ternura profunda apareceu em seu olhar.Larissa sempre foi bonita, de uma beleza clara e luminosa.Aos vinte e três anos, deveria estar vivendo justamente assim, cheia de energia, rindo sem medo, fazendo o que quisesse.Mas, quando Arthur voltou a encontrá-la alguns meses antes, viu outra mulher.Mais silenciosa.Carregando preocupações demais, sempre cuidadosa demais, como se até para ocupar espaço precisasse pedir licença.Agora, diante dele, aquela cautela desaparecia pouco a pouco.Larissa ria,
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