Eu flutuava no ar, observando o corpo de Matheus ser levado, sem sentir a menor emoção. Não havia ódio, nem rancor; era como se eu estivesse assistindo ao fim da vida de um completo desconhecido.Antes, eu pensava que o odiaria para sempre. Odiaria sua indiferença no porão, odiaria o fato de ter tirado a vida do nosso filho, odiaria que ele, cegado por Mariana, me ferisse repetidas vezes.Mas ali, já na forma de alma, olhando para ele usando toda a vida para se redimir, vendo o Presidente Matheus, cheio de vigor, se transformar em um velho cansado e desolado, aquele ódio se dissipou como fumaça levada pelo vento, desaparecendo aos poucos.Não era perdão; era simplesmente que não valia a pena. Eu já o amei com toda intensidade, entreguei tudo por ele, e ainda assim ele pisou no meu amor, destruiu minha dignidade. Esse amor, congelado no frio e na desesperança do porão, se partiu em mil pedaços e jamais poderia ser reconstruído.Foi então que ouvi uma voz familiar. Eram meus pais, vestid
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