— Tatiane, feliz aniversário.Ela falou isso chorando.— Dessa vez a mamãe lembrou... come, tá...Meu pai se agachou diante do túmulo e, com um lenço na mão, ficou limpando sem parar a minha foto na lápide, com uma delicadeza quase absurda, como se tivesse medo de me acordar.— Tatiane... o papai errou...A voz saiu embargada, quase se quebrando no meio.— Eu não devia ter dito que você estava enrolando... não devia ter deixado de voltar pra te buscar... me perdoa, filha... me perdoa...Beatriz deixou um pequeno buquê de flores brancas.Enzo colocou ali o carrinho de brinquedo de que ele mais gostava.O vento atravessou o cemitério, sacudindo os ciprestes num sussurro contínuo, como se respondesse, como se lamentasse.Depois daquilo, a família do tio Afonso quase não apareceu mais lá em casa.Desde aquela briga, a relação entre as duas famílias desandou de vez.Por fora, ainda mantinham o mínimo de convivência entre parentes. Mas todo mundo sabia que aquela rachadura nunca mais ia se f
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