A sexta-feira à noite pesava nos ombros de Maya. O trajeto de ônibus do campus até o novo bairro foi feito em silêncio, com a testa dela encostada no vidro gelado da janela, observando o trânsito lento da cidade. Ela só queria que aquele dia específico acabasse o mais rápido possível. Era o aniversário dela, uma data que, no calendário de Maya, representava apenas uma lembrança aguda de solidão. Durante a infância, a falta de dinheiro e a ausência dos pais, que sempre precisavam dobrar os turnos de trabalho, transformavam o aniversário em um dia como qualquer outro, marcado apenas por jantares congelados e uma casa vazia. Ela não havia contado para absolutamente ninguém. Nem para os colegas do laboratório, nem para os professores, e, principalmente, não havia contado para Leo. Maya destrancou a porta do apartamento. O ambiente estava mergulhado na penumbra. A única iluminação da sala vinha da luz, daqueles pisca-piscas baratos, que havia sido esticado sobre o encosto do sofá e a
Última atualização : 2026-09-23 Ler mais