No dia seguinte, Dominic e Maria saíram. Ela vestia o mesmo vestido surrado com o qual chegara, o tecido fino, desbotado, colado demais à magreza do corpo. Dominic tirou do armário uma blusa de frio dele, grande demais para ela, e ajudou-a a vestir. As mangas passaram das mãos. O colarinho encostou no queixo. Maria não reclamou. Apenas respirou fundo, como se aquele pedaço de pano fosse um teto improvisado.Ele a levou ao shopping.No carro, Maria passou quase o caminho inteiro com a manga da blusa junto ao nariz. Dominic notou e, contra a própria vontade, gostou. Não pelo gesto em si. Pelo que aquele gesto dizia. O cheiro dele era limpo, sabonete, tecido, um pouco de madeira e frio da manhã. Para Maria, era segurança. Ela fechava os olhos por segundos e se permitia existir dentro daquela blusa como quem se esconde num quarto iluminado.De início, o shopping a assustou. Tanta gente. Tantas vozes. Tantas luzes. O chão brilhava, o ar cheirava a perfume, comida e inverno artificial. Mari
Última actualización : 2026-08-28 Leer más