Os dias passavam rápido. Maria estava mais firme. Não “melhor” como quem apaga o passado, porém aos poucos, surgira nela uma maturidade, percepção, descobrira que tem vontades e que podia lutar por elas. As consultas com a psicóloga ajudavam. Muita coisa que Dominic não tinha coragem de explicar, a médica nomeava. Autonomia. Limite. Medo. Confiança. Palavras que Maria experimentava na boca como roupa nova: ainda estranhas, já suas.Naquela manhã, os dois estavam à mesa. O inverno batia no vidro. Lá fora, a neve caía calma, cobrindo o lago e o jardim. Maria estava mais disposta, mais corada. Tinha ganhado peso. O corpo, enfim, aceitava comida sem desconfiança. Passara fome demais nas mãos do Mestre. Agora comia. E comia bem.Usava roupa de frio. Mesmo assim, preferia as blusas de Dominic. O tecido largo. O cheiro. Aquele perfume limpo que, para ela, ainda significava um mundo inteiro de carinho e cuidado.— Tem que colocar essa blusa pra lavar — disse ele, divertido, apontando com o qu
Last Updated : 2026-09-03 Read more