Eu encarei minhas palmas. A pele estava cheia de bolhas, num vermelho vivo, já vertendo sangue. Comecei a rir.Era um som áspero, quebrado, no silêncio tenso.Marcus congelou.— Por que você está rindo? — Exigiu, com um fio de inquietação na voz.Eu ria da colossal e trágica piada que era a minha própria vida. Por anos, eu me contorci, engoli insultos, suportei injustiças, tudo para preservar o afeto raso e condicional dos meus pais e daquele homem.E para quê?Toda vez que Liana encenava seu papel de donzela frágil, eles acreditavam nela. Sem questionar. Laços de sangue e promessas de infância não significavam nada diante das lágrimas ensaiadas dela.Eu era a vilã na história deles. A irmã invejosa. O obstáculo.Cerrei os punhos, as queimaduras recentes gritando em protesto, a dor trazendo um foco agudo e esclarecedor. Olhei para Marcus, meus olhos secos e ardentes.— Não. — Eu disse, minha voz surpreendentemente firme. — Eu não vou me desculpar. Não fiz nada de errado.O ma
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