O quarto está silencioso demais. Bem diferente de algumas horas atrás, quando havia pessoas entrando e saindo daquela sala de cirurgia, me perguntando constantemente se eu estava bem. Agora, é só o bipe constante de um monitor ao lado da cama e o zumbido baixo do ar-condicionado. Viro o rosto e vejo Dante sentado na poltrona ao meu lado, com os olhos vermelhos e o cabelo bagunçado de quem passou a mão nele mil vezes. Ele nunca esteve tão desarrumado. Mesmo assim, é a coisa mais bonita que já vi. Então, abaixo os olhos. Deslizo a mão devagar pelo lençol até chegar à minha barriga, num gesto que já virou instinto, e encontro apenas a curva mais baixa, dolorida. Vazia. Meus dedos param. Durante meses, havia vida aqui dentro. Pequenos chutes, cotoveladas… movimentos que, por semanas, foram a prova mais concreta de que meus meninos estavam bem. Meu peito aperta, e a lembrança me volta de uma vez: as incubadoras, os dedinhos, os fios. Engulo em seco. — Piccola? A voz do meu mar
Última atualização : 2026-10-03 Ler mais