NÚCLEO — AYLA E LÍVIAA madrugada foi longa demais para Ayla. Embora o corpo estivesse exausto, o sono recusava-se a permanecer. Sempre que fechava os olhos, as palavras do segundo bilhete surgiam diante dela com a mesma crueldade da tinta recém-escrita. Levantou-se ainda antes do amanhecer, caminhou descalça até a cozinha e preparou um café que acabou esfriando intacto sobre a bancada. Pela janela, observava o jardim ainda coberto pela névoa, tentando convencer o próprio coração de que o medo não podia ser maior do que o amor que sentia por Lívia.Depois de alguns minutos, abriu a gaveta onde guardava o caderno azul. Sentou-se à mesa, respirou profundamente e começou mais uma carta.“ Bom dia, minha menina, Hoje escrevo com o coração apertado. Alguém tentou transformar meu maior sofrimento em uma arma contra mim. Confesso que senti medo. Não por mim, mas por vocês. Sim, por vocês. Porque, mesmo sem saber onde você está, continuo imaginando que um dia chegará em casa e encontrará
Última actualización : 2026-08-27 Leer más