NÚCLEO — GAELO fim da tarde descia sobre a cidade com uma lentidão pesada, tingindo os prédios de dourado antes que a noite começasse a engolir as ruas. Gael deixou a sede da Valença Holdings sem esperar pelo motorista, ignorando a surpresa discreta dos seguranças e o olhar atento da recepcionista. Precisava dirigir sozinho. Precisava daquele pequeno espaço de silêncio entre o volante e o para-brisa para tentar organizar pensamentos que, desde o reencontro com Ayla, pareciam escapar de qualquer controle. Durante cinco anos, acreditara que sua dor tinha uma origem simples: Abandono. Agora, cada nova informação, cada palavra dela, cada gesto de Lívia e cada documento encontrado por Rafael pareciam apontar para uma verdade muito mais complexa, muito mais cruel e talvez insuportável.O trânsito seguia lento, e Gael não se importou. Pela primeira vez em muito tempo, não tinha pressa de chegar a lugar algum. Sobre o banco do passageiro repousava uma fotografia antiga de Ayla, retira
Última actualización : 2026-08-13 Leer más