HAGEN Assim que Marcus entrou no escritório, tive a sensação estranha de que alguma coisa finalmente estava voltando ao lugar. Não uma memória. Não exatamente. Mas uma sensação. Como se eu pudesse respirar melhor. Como se aquele ambiente fosse mais verdadeiro. Por um segundo apenas nos encaramos. Então ele abriu os braços. — Você está horrível. Soltei uma gargalhada. — E você continua feio. Marcus riu. E no instante seguinte estávamos nos abraçando. Um abraço forte. Silencioso. De irmãos. Quando nos afastamos, percebi que os olhos dele estavam vermelhos. — Pensei que tivesse morrido. Confessou. — Eu também. Respondi. Aquilo arrancou outra gargalhada. A primeira verdadeiramente espontânea desde que eu havia voltado. Sentamos. Servi duas doses de uísque. Marcus ergueu o copo. — Ao homem que voltou dos mortos. — Ao amigo que envelheceu. Brindei. Ele revirou os olhos. — Casado e feliz. Corrigi. — Casado? Quase engasguei. — Você? Marcus apontou para mim.
Last Updated : 2026-08-19 Read more