Aura KellerTrês dias.Eu já estava liberada e não saía dali. Dona Ermínia mandou trocarem o quarto no segundo dia. Ficamos no melhor do andar, com janela para o pátio e uma cama extra colada na dele. Eu dormia. Às vezes nem dormia. Só fingia, com a mão no pulso dele, contando o apito da máquina.Naquela manhã o sol estava fraco. Alguém tinha deixado o chá esfriar na mesa. Eu tinha cochilado, toda torta, cansada de esperar, mas aguardando desesperadamente por aquele momento.“Aura...”O nome veio rouco. Quase um sopro.Eu abri os olhos no mesmo instante. E ele estava lá, me olhando. Me encarando.Desci da cama tão rápido que o lençol foi junto. Tropecei no fio do monitor e não liguei. Segurei o rosto dele com as duas mãos, com medo de que fosse sonho de novo.“Finalmente.” A voz quebrou no meio. “Finalmente você voltou para mim.”Lucas tentou erguer o braço. Conseguiu o direito. Os dedos acharam minha nuca e me puxaram. Eu chorei no pescoço dele, no ombro, na faixa do peito. O cheiro
Dernière mise à jour : 2026-09-05 Read More