Ao ouvir a palavra "cheiro", Clara fechou os punhos por reflexo, atingida por uma culpa súbita.Jorge, ao lado dela, não percebeu nada. Ergueu a mão, cheirou a própria roupa e só então se deu conta.— Dr. Montenegro, é o chá calmante que a Júlia preparou. De manhã, ela ainda fez uma caneca enorme para mim...No meio da frase, sentiu o peso do olhar de Leonardo sobre ele.Jorge corrigiu o tom na hora:— Quer dizer, eu pedi para ela preparar uma caneca enorme para mim. Vou buscar uma para o senhor agora.Depois disso, virou-se e saiu.Leonardo não recusou.A imagem de Júlia dormindo sobre seu braço naquela manhã voltou à sua mente.Os métodos dela para seduzi-lo eram desajeitados demais, quase infantis. Ainda assim, por algum motivo, toda vez que a via, alguma coisa incômoda parecia se acender dentro dele.Clara ouviu a conversa dos dois. A xícara de café, esquecida e esfriando sobre a mesa, fazia sua presença ali parecer ainda mais constrangedora.Seus dedos se fecharam com tanta força
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