A névoa matinal que subia suavemente pelas encostas da Serra da Mantiqueira trazia consigo aquele aroma inconfundível que marcou a história do Vale de Roseiras: uma mistura perfeita de pinho úmido, terra revolvida pelo sereno e a fragrância sutil, mas inebriante, das lavandas e hortênsias em flor. Naquela manhã de início de primavera, contudo, o pátio central do casarão do Pátio das Hortênsias não testemunhava apenas o desabrochar da natureza; vivia a celebração máxima da palavra, da memória e da arte que salvara tantas vidas.No pavilhão principal da Fundação Flor de Jericó, um espaço arquitetônico monumental projetado com vigas de canela-imbuia e amplas paredes de vidro transparente que se abriam para o vale, o movimento começara antes mesmo do nascer do sol. Mesas de madeira de demolição, perfeitamente polidas com cera de abelha silvestre, alinhavam-se ao longo da galeria central. Sobre elas, arranjadas com o apuro estético de quem entende o valor do detalhe, repousavam centenas de
Última actualización : 2026-08-05 Leer más