A luz límpida da manhã de agosto entrava pelas amplas janelas em arco da biblioteca principal do casarão, iluminando as pesadas estantes de mogno e refletindo no tampo polido da mesa central de jacarandá. O aroma de café fresco preparado por Marta cruzava o ar, misturando-se ao perfume secular de papel antigo, pergaminho e couro tratado.A mesa, costumada a receber plantas arquitetônicas e relatórios financeiros internacionais, estava hoje coberta por um tesouro cartográfico e jurídico sem precedentes. No centro, sob placas de vidro temperado de proteção, repousavam a Carta Patente Imperial de 1878, os mapas de agrimensura desenhados à mão com tinta ferrogalia e as cadernetas de anotações do Barão Henri de Valois.Ao redor da mesa, a atmosfera era de um conselho de estado. Gabriel Valois, vestindo uma camisa de algodão escuro com as mangas dobradas e o semblante sereno de quem domina todas as variáveis, mantinha a mão espalmada sobre o tampo de madeira. Ao seu lado, Clara Mendes usava
Zuletzt aktualisiert : 2026-08-05 Mehr lesen