O dia seguinte amanheceu carregado. Isadora não saiu de casa pela manhã logo cedo como sempre fazia. Ficou na sala de estar, de pernas cruzadas, folheando uma revista sem realmente ler, o olhar sempre voltando na minha direção cada vez que eu passava.— Você tem um jeito… — comentou ela de repente, quando eu levava o chá de Dona Marieta. — Um jeito que me incomoda. Bernardo levantou os olhos do celular.— Isadora, pelo amor de Deus.— Seu olhar. Até o silêncio. Você me lembra alguém.Meu sangue gelou, mas mantive o rosto neutro.— Lamento se causei algum desconforto, senhora.— Hun... resmungouBernardo se levantou, claramente irritado.— Chega Isadora. Deixa a menina em paz, ela está apenas fazendo o trabalho dela. Vamos. Temos reunião.Quando os dois saíram, Dona Marieta, que fingia dormir na poltrona, abriu um olho.— Ela sempre foi assim. Venenosa. Cuidado, minha filha. O veneno dela gruda.Passei o resto da manhã com dona Marieta, eu não tinha plantão no hospital, estava por a
Last Updated : 2026-09-28 Read more