Eu nunca vou esquecer a imagem de Louis sendo carregado para dentro da clínica. O Ratão e dois meninos entraram arrastando o corpo dele. A camisa estava encharcada de sangue escuro, quase preto, grudada na pele como uma segunda camada. O rosto pálido demais, a pele úmida e fria. Os olhos semicerrados. Eu soltei um grito que rasgou a garganta e corri até ele. Meus joelhos bateram no chão de cimento frio. Eu peguei a cabeça dele e coloquei no meu colo, as mãos tremendo, o sangue quente e pegajoso escorrendo pelos meus dedos, escorrendo pelo meu braço, manchando a blusa, o cabelo, o pescoço, o chão. O cheiro metálico e doce de sangue fresco encheu o nariz, misturado com suor e algo mais amargo, quase de morte.— Louis… Louis, me olha… porra, me olha! — minha voz saiu desesperada, quebrada, alta demais, ecoando nas paredes da clínica. — Não faz isso comigo. Não morre. Não morre agora, caralho!Ele abriu os olhos com dificuldade. Os verdes estavam turvos, cheios de dor, a pupila dilatada,
Última atualização : 2026-08-15 Ler mais