O silêncio do meu escritório na casa do morro sempre foi o meu santuário, mas naquela tarde de sábado ele parecia uma prensa hidráulica esmagando o meu peito. Eu estava em pé diante da grande parede de vidro, observando a Rocinha se estender em um emaranhado de lajes, fios e vida. Lá embaixo, a favela pulsava em paz. Uma paz que custava sangue, noites em claro e uma vigília ininterrupta.O toque estridente do meu celular corporativo, a linha restrita que só três pessoas no Estado tinham o número, cortou o ar como uma lâmina.Olhei para o visor desformatado. Criptografado. Atendi sem saudar, apenas encostando o aparelho no ouvido.— Fala, ordenei, a voz num rosnado baixo.— Vance? a voz do outro lado era distorcida por um modulador, mas a gravidade do tom era inconfundível. Era a minha fonte mais alta na Secretaria de Segurança. — O jogo virou. O vazamento veio de cima, da cúpula do Estado que não aceitou a queda do esquema do Hospital Central. Eles montaram um dossiê completo.Senti
Última atualização : 2026-08-24 Ler mais